sábado, 27 de agosto de 2011

Robert Charroux

Reinterpretando a história - parte 2 - robert charroux

 

Vida para além da morte, universos paralelos, Deus, segredos enterrados, continentes perdidos, virgens negras. Para além de partilhar com Erich von Däniken a teoria dos antepassados astronautas, Robert Charroux é o mestre da pseudo-ciência. Mergulhe nos mundos esquecidos pela História e num "si próprio" muito maior que os limites dérmicos do seu corpo.

robert charroux
Robert Charroux foi, por algumas vezes e por determinados grupos e indivíduos da ciência mainstream, considerado um louco. Sabemos, porém, que “a ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências”, conforme constatou o escritor e poeta norte-americano Edgar Allan Poe.

[O presente artigo é o segundo da série “Reinterpretando a História”, seguindo-se ao artigo sobre Erich von Däniken.]

A palavra heresia provem do latim haeresis e significa “divergência em ponto de fé ou de doutrina religiosa” ou, por extensão, “blasfémia”, ou ainda, figurativamente, “opinião ou doutrina referente às ideias recebidas”. Robert Charroux (RC) considera-se um herético. Afirma que “o caminho para a verdade se faz às apalpadelas, à custa de erros sucessivos e de descobertas positivas”. Diz ainda que “no labirinto em que se perde, o investigador nunca alcança o âmago”. Critica com humildade algumas (poucas) falsas asserções encontradas nos seus livros que foram posteriormente desmistificadas. Mas aponta uma maior “falha” que, embora alheia à sua vontade, está directamente relacionada com ele: por toda a França e em outros países surgiram, espontaneamente, clubes Robert Charroux – grupos de estudantes, jovens amantes do insólito, do supranormal e do saber não conformista.

O problema reside, essencialmente, no questionamento destes jovens em liceus e universidades sobre a validade e veracidade do ensino clássico com base nos seus livros (livros dos quais ele é o autor mas que envolvem o contributo de diversos historiadores, arqueólogos, escritores, correspondentes e amigos, e a sua fiel colaboradora – Yvette Charroux). Ora, Robert Charroux deplora esta “heresia” contra o ensino clássico, fazendo entender que embora algumas das suas teses ofereçam garantias mais comprováveis, elas não passam, geralmente e quanto ao resto, de “exercícios, de jogos intelectuais, susceptíveis de aperfeiçoamento, destinados a estimularem o cérebro e, talvez, a serem algum dia confirmados”. Sendo assim, este trabalho de “aperfeiçoamento” pressupõe o conhecimento dos tratados clássicos.

robert charroux
Um exemplo moderno de heresia – fotografia de queima de livros de Lenin pelos nazis na Praça de Göttingen, Alemanha (Fotografia do Museu Municipal de Göttingen)

Mas qual é a relevância disto? Bom, Robert Charroux elaborou umas teses, umas teorias, que defrontam “tête-à-tête” (a níveis semelhantes) a ciência clássica nos campos da Pré-história, da História e da Religião, entre outros, ou seja, na forma como concebemos o mundo e a nossa existência. É deveras interessante e totalmente conspirador. Se for o mundo de Charroux uma verdade, então vivemos nós, há já muito tempo, numa gigantesca conspiração. E se por vezes a conspiração é apenas um pesadelo para a realidade banalizada, é, certamente e muitas vezes, o oposto. Ou seja, como podemos delimitar a distância entre a realidade e a conspiração? A realidade é por vezes um produto de conspiração e a conspiração uma realidade (pense-se – apenas como exemplo, pois teríamos inúmeras formas de mostrar isto – nas reuniões do Clube Bilderberg ou nos Iluminatti ou ainda na Maçonaria e nas façanhas edificadoras da Nova Ordem Mundial).

robert charroux
Grande Selo dos Estados Unidos presente na nota de um dólar, com a inscrição em latim Anuit Coeptis – Novus Ordo Seclorum, que significa: “Ele aprova o nosso empreendimento – [A] Nova Ordem dos Séculos”

Charroux morreu em 1978 com 69 anos. Trabalhou para os correios franceses até se tornar escritor de ficção científica, tendo então publicado seis obras de não-ficção baseadas em dezenas de anos de investigação em diversas áreas relacionadas com a arqueologia, a exegese, a religião, o misticismo, entre outras, a maior parte na última década da sua vida. São estas as obras relevantes para nós, para este artigo. Não podemos, no entanto, deixar passar sem assinalar, e a título de curiosidade, as tiras de banda desenhada escritas para o Mon Journal, nos finais dos anos 40, que tinham como protagonista um super-herói com poderes atómicos – o Atomas!

Charroux é o reconhecido pioneiro da teoria dos antigos astronautas, mas é importante denotar a reciprocidade de influência entre ele e Erich von Däniken, havendo, inclusive, acusação de plágio por parte da editora de Charroux, o que obrigou a editora de Däniken a colocar os livros deste na bibliografia das suas obras. Note-se ainda que ambos terão tido influência das obras “The Morning of Magicians” (“O amanhecer dos Mágicos”), de Lewis Pauwels e Jacques Bergier, e dos livros do profícuo autor britânico Raymond Drake, todos no início da década de 60. (A razão pela qual Robert Charroux não abre as hostes desta série de artigos sobre a reinterpretação histórica em prol de Däniken prende-se com o facto de que o primeiro transcende de alguma forma Däniken no campo de análise, fazendo transbordar esta para um tempo mais Presente, se considerarmos uma perspectiva linear do Tempo).

É impossível dissecar aqui as teses de Charroux. Deixo-vos, então, alguns títulos de duas das suas obras (deveras interessantes, por sinal) para que possa o leitor ter uma noção mais precisa da temática abrangida por este senhor e, eventualmente, mergulhar por si no fantástico desconhecido (note-se que estes títulos estão descontextualizados do seu conteúdo, não merecendo, por isso, julgamentos apriorísticos):

robert charroux

O milagre da areia de ouro; o cérebro extraterrestre; A coisa estranha provoca loucura; O mar está esquisito; O país onde o tempo deixa de correr; Os nossos antepassados não eram macacos; O Homem é um ser extraterrestre; Menires na lua; Um falo em metal desconhecido; O ocidente foi sabotado; Conheciam a charrua mas não os bois; O gerador de plasma dos faraós; A alma do Universo; O império invisível dos R+C; A Atlântida vai ressurgir; Os fantasmas de Hiroxima; A violação legítima; Deus é excomungado; A Bíblia é um romance; O sapo iniciado; Deus não é um capataz; O amor é um conceito satânico; As raparigas serão belas em 1986; Os homens são mais sábio que Deus; Jesus recusava-se a ser o Salvador; Um «hippie» chamado Jesus; Os Apóstolos: drogados; A mulher, criatura do Diabo; Jesus não estava morto; Receitas para viver muito tempo; A missa na Lua; A esquerda é obscena; Extraterrestres operam uma egípcia; Os super-homens voadores e o mistério dos golfinhos.

robert charroux

As palavras que é proibido pronunciar; Os hebreus são arianos puros; Moisés não escreveu a «Génese»; A História está deturpada; Há 5000 anos os deuses voavam; Uma mulher para repovoar o mundo; A evolução humana do dilúvio até à nossa época; Anti-racismo cósmico; Os mestiços modificarão a face do mundo; Extraterrestres para mulheres negras; Adão e Eva eram negros; Deus é branco; A verdade antiga é inacreditável; Proibido invocar Deus; A gruta de Rosenkreutz; Os quatro segredos R+C; O segredo das tochas eternas; Os locais mágicos onde apetece viver; Equilibrar o + e o -; A pirâmide subterrânea; Alguém no invisível; Religião = Feitiçaria; Magia negra; A maldição das focas; O deus branco que insufla; As drogas de iniciação; Os poderes fantásticos de Maria Sabina; A planta extraterrestre; O imenso medo dos americanos; Deus: dois braços, duas pernas…; O rei Crono da Atlântida; Revelações proibidas; Os Maias inventaram o futebol; Keely aguenta dez toneladas num só braço; A levitação dos santos; A vida é possível em Vénus; O mistério dos homenzinhos verdes.

robert charroux
“Poço da Iniciação”, no Palácio da Regaleira, em Sintra, Portugal. Todo o palácio é rodeado de luxuriantes construções enigmáticas que ocultam significados alquímicos como os usados pela Maçonaria, os Templários e Rosacruz. Este poço é construído por 9 patamares separados por lanços de 15 degraus cada um, representando os 9 círculos do inferno, do paraíso e do purgatório. No fundo do poço está embutida em mármore uma rosa-dos-ventos sobre uma cruz templária, indicativo da Ordem Rosacruz

Como se pode verificar, a temática abordada por Charroux é bastante ampla. Há, no entanto, um tema que sobressai nos seus livros com maior veemência: a Atlântida. Este continente perdido é um tema já deveras debatido mas merece ainda a nossa (e a dos especialistas) atenção. Recentemente, rumores indicaram a descoberta de parte deste continente através do mapeamento planetário feito pela Google. Após um enorme alarido, a “descoberta” foi (parcial e não muito convincentemente) desmentida. De forma a compreendermos um pouco melhor a complexidade deste psudo-fenómeno, deixo-vos este documentário do Canal História (legendado em português):

 

Charroux destrói de uma forma fabulosa a crença religiosa na ciência actual, substituindo-a por um admirável Passado novo, tornando, sem a menor dúvida, o nosso mundo e a nossa existência em algo muito mais fascinante (!)

O próximo artigo desta série será sobre um especialista em xamanismo, o homem do “Pão dos Deuses”, Terence McKenna, que partilha com Charroux e Däniken uma estupenda visão do passado da Humanidade.

Agora, quase findo este artigo e de forma a inspirar o leitor ao exercício e à grande loucura de repensar, ainda que momentaneamente, as suas profundas convicções acerca do mundo e da vida, deixo-o com uma frase de Sanconíaton de Béryte, autor de “A História Fenícia”, escrita há cerca de quatro mil anos atrás, a quem Charroux dedica “O Livro dos Senhores do Mundo” por ser este “o pioneiro das verdades primeiras”:
«Os nossos ouvidos, habituados desde os primeiros anos a ouvir as suas histórias falsas, e os nossos espíritos, imbuídos desses preconceitos desde há séculos, conservam como um depósito precioso essas suposições fabulosas… de tal forma que fazem aparecer a verdade como uma extravagância e dão a lendas adulteradas a aparência da verdade».

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Paris 26 Gigapixels - Interactive virtual tour of the most beautiful monuments of Paris

Paris 26 Gigapixels - Interactive virtual tour of the most beautiful monuments of Paris

Nick Cave - Foi na cruz

Ontem eu ainda pensava

Ontem eu ainda pensava que eu e tu seríamos nós mas hoje
apesar de nada ter mudado (uma vez que sentimentos não se desintegram) percebo
que estou só no meu objetivo de tê-lo junto a mim
Há uma nuvem que se
aproxima de nossas conversas cada vez que tentamos manter a energia amorosa além
da realidade de carne que tanto nos fascina e que só ela nos abriga
carinhosamente e sem conflitos...
Há algo em mim que não reage bem quando
percebe as tantas mulheres que te cercam e sua atenção de amigo se estende além
das telas, e nada tem a ver com ciúme embora eu admita que um sentimento
corrosivo me tome repentinamente cada vez que te percebo se entregando mais um
pouquinho em palavras e gestos que me ferem como se vc estivesse se esvaindo de
mim...e fico com a impressão de que eu apenas passo por ti como uma chuva, a
chuva que não abençoa e sim que inunda os átrios do coração que te pertence e se
esconde em saudade.
Te esquecer é algo que já não posso fazer nem que me
peças porque vc está em mim como se tatuado em minha alma, mas se nossos
conflitos diários te ocasionam impaciência e desgaste, em mim n é diferente e
só eu sei as tantas vezes em q tenho q conversar com o travesseiro
molhado...
Percebo ainda que com dor, que nada acrescentamos um ao outro nos
mantendo ligados apenas por máquinas como os doentes terminais que buscam alívio
e esperança daquilo que já sabem o fim.
Não te quero ter porque necessito ou
porque somos importantes um para o outro, te quero ter além de todas as tuas
expectativas e das palavras que partilhamos quando juntos.
Sinto que meu amor
muitas vezes não é suficiente para arrebatá-lo de suas tantas dúvidas e saber
sair de cena quando se reconhece ser coadjuvante é um dom e não uma
lamentação.
Não coloco pontos finais onde só existem reticências, apenas
preciso trazer de volta a parte de mim que está irremediavelmente presa à você,
preciso me resgatar, renascer como a Fênix mais louca e ainda assim apaixonada
mas que tem a força suficiente para num gesto de misericórdia desatar o nó que
nunca se fez laço a não ser pelo coração.
Sei que minhas palavras podem ser
interpretadas por vc de um modo contrário, porque de algum jeito mesmo sem eu
entender, vc sempre traduz minhas idéias em como eu não dar ponto sem nó ou com
a distorção que passeia por comentários alheios, pois bem, vou correr esse
risco, mas se o coração daquele homem pelo qual um dia eu me apaixonei, estiver
aí dentro de ti, entenderá com todas as letras que isto não é um jogo, nem um
lance perfeito onde cartas são dadas ou marcadas.
Isto, sou eu, isto é o meu
coração gritando por você e ao mesmo tempo pedindo perdão pelas tantas vezes que
tentando amá-lo me excedi, que tentando compreendê-lo, me permiti ser ácida e
irônica, ciumenta ou vingativa, exigente ou manhosa em situações que só agora
entendo...porque colocaram ainda que sem querer meu coração por penhor, daí
minha necessidade inerente de resgatá-lo uma vez que mais faço perder o rumo que
traçar bons caminhos.
Estou numa tentativa desesperada de assinalar o teu
entendimento com um x , o x da certeza de que meu amor por você é eterno e assim
permanecerá mesmo que você não permaneça em minha vida...mas paradoxalmente,
estou serena por saber que combati o bom combate ainda que me faltem qualidades
para ser a heroína das novelas e filmes mas ainda assim, eu lutei por vc, eu
abri a minha guarda, para que vc pudesse entrar e me inundar com sua presença
linda, eu me dediquei a te conquistar mesmo quando vc me fez parecer apenas mais
uma guerreira no meio de tantas outras; eu te amei com o mais íntimo de minha
alma e por isso me inclino a me despedir porque sei que não desisti sem tentar
antes todas as oportunidades de viver este amor que não se esquece.
Saio com
a sensação do dever cumprido ainda q tenham ficado pelo

Ah, diz-me a verdade acerca do amor

Há quem diga que o amor é um rapazinho,
E quem diga que ele é um pássaro;
Há quem diga que faz o mundo girar,
E quem diga que é um absurdo,
E quando perguntei ao meu vizinho,
Que tinha ar de quem sabia,
A sua mulher zangou-se mesmo muito,
E disse que isso não servia para nada.

Será parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o dos lamas,
Ou tem um cheiro agradável?
É áspero ao tacto como uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão de penas?
É cortante ou muito polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.

Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas crípticas,
É um assunto de conversa muito vulgar
Nos transatlânticos;
Descobri que o assunto era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias ferroviários.

Uiva como um cão de Alsácia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda militar?
Poderá alguém fazer uma imitação perfeita
Com um serrote ou um Steinway de concerto?
O seu canto é estrondoso nas festas?
Ou gosta apenas de música clássica?
Interrompe-se quando queremos estar sossegados?
Ah! diz-me a verdade acerca do amor.

Espreitei a casa de verão,
E não estava lá,
Tentei o Tamisa em Maidenhead
E o ar tonificante de Brighton,
Não sei o que cantava o melro,
Ou o que a tulipa dizia;
Mas não estava na capoeira,
Nem debaixo da cama.

Fará esgares extraordinários?
Enjoa sempre num baloiço?
Passa todo o seu tempo nas corridas?
Ou a tocar violino em pedaços de cordel?
Tem ideias próprias sobre o dinheiro?
Pensa ser o patriotismo suficiente?
As suas histórias são vulgares mas divertidas?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.

Chega sem avisar no instante
Em que meto o dedo no nariz?
Virá bater-me à porta de manhã,
Ou pisar-me os pés no autocarro?
Virá como uma súbita mudança de tempo?
O seu acolhimento será rude ou delicado?
Virá alterar toda a minha vida?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.



W.H. Auden

domingo, 14 de agosto de 2011

Velvet Underground

O dia em que eu... vi os Velvet Underground [crónica de Rui Miguel Abreu] -

O dia em que eu... vi os Velvet Underground

Em 1993, Rui Miguel Abreu apanhou os Velvet Underground em Londres. Oportunidade irrepetível para dar de caras com um mito.

Gosto da perspetiva que este presente oferece sobre o passado que já lá vai e o futuro que está para chegar e nunca fui nem dos que gostavam de ter sido cavaleiros na corte do rei Artur ou membros da entourage dos Rolling Stones em 68 nem dos que sonham acordados com o dia em que possam apanhar o 751 para Júpiter ou ir de férias para um qualquer planeta paradisíaco com um simples "beam me up, Scotty!". Gosto do aqui e agora (às vezes mais do "aqui" do que do "agora", é verdade...), mas até um tipo pragmático como eu pode ter as suas fraquezas. E uma das minhas fraquezas em tempos passava pela Nova Iorque de Andy Warhol e dos Velvet Underground: gostava de ter visitado a Factory em 1966, de ter estado entre o público do Exploding Plastic Inevitable, de ter testemunhado o poder dos Velvet Underground nessa época. E isto porque aquela música sempre me pareceu mais do que um conjunto de impulsos elétricos gravados nos sulcos de discos de vinil. Havia um claro lado ritualista, teatral, performativo desvendado pelas lendárias atuações ao vivo de Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker, mais Nico e todo o circo de "freaks" montado por Warhol, com projeções de cinema e de slides de óleo, mais luzes e chicotes e agulhas hipodérmicas gigantes... Uma festa.

Em 1990, começou a desenhar-se uma hipótese de ver esse sonho realizado, pelo menos de forma parcial. John Cale e Lou Reed gravaram e editaram a homenagem a Andy Warhol Songs For Drella e depois, em Paris, na Fundação Cartier, os dois homens fortes dos Velvet interpretaram "Heroin" e mais alguns temas que viriam a encontrar lugar no bootleg Paris 1990 . Em 1993, o grupo cedeu finalmente à história e juntou-se para uma série curta de concertos.  Tocaram em Edimburgo, em Paris (de onde saiu a gravação que daria origem a Live MCMXCIII ), fizeram alguns primeiras partes dos U2, e apresentaram-se na Wembley Arena em junho de 1993. Foi esse o concerto que apanhei e sobre o qual escrevi as linhas que se seguem, nas páginas do Se7e:

"O concerto dos Velvet, no último domingo, em Londres, foi mesmo brilhante. Lou Reed, Maureen Tucker, John Cale e Sterling Morrison juntos como nos velhos tempos. Juntos e ao vivo. Sinceramente, penso que a chama está intacta", escrevia eu depois de me interrogar sobre o que poderia ter Lester Bangs pensado de tal reunião. "Tudo abriu com "We're Gonna Have a real Good Time Together", espécie de aviso prévio para a requisição civil que se seguiu. Logo depois, com "Venus In Furs" entrámos no território dos mitos apenas para sermos imediatamente devolvidos a este planeta com o pontapé dos arranjos. Isto serve para alertar os cardíacos defensores da imutabilidade: os novos arranjos para os eternos clássicos dos Velvet podem provocar uma crise na aorta dos mais sensíveis. Como pessoas inteligentes que são, os Velvet Underground pegaram no passado de cernelha e fizeram-no curvar-se ao presente".

Expliquei depois que Cale foi o multi-instrumentista de serviço e que ficaram a seu cargo as canções que originalmente contaram com a voz de Nico. Sobre Maureen Tucker escrevi que foi "económica como um judeu em véspera de reforma e certeira como Miguel Sousa Tavares", garantindo que "foi dela grande parte da noite". Referi a "massa bruta de força, energia e extrema coesão", notei que Lou Reed estava "cheio de vontade de tocar guitarra descontroladamente" e falei da afinação alternativa de Cale. "É certo que os Velvet já não tocam de costas voltadas para o público, já não usam óculos escuros, nem seringas ou outras ferramentas hipodérmicas em palco. Mas não se perdeu nada". "Falta dizer", concluía depois de apontar o álbum ao vivo que já se anunciava como documento desta digressão, "que os Velvet assinaram o melhor concerto de rock que já vi. Poderoso, inventivo e corrosivo. Com a dose certa de eletricidade para acordar da letargia qualquer saudosista da década de 60. Suficiente para que Lester Bangs, que está com certeza a escrever fanzines na Quinta Dimensão, faça uma edição especial só com eles".

Nunca fui grande adepto das reuniões, precisamente por achar que tudo tem o seu tempo e lugar, mas na impossibilidade de realinhar as minhas moléculas à porta da Factory em 1966, abri uma exceção e cumpri esse sonho em Londres. E em boa hora o fiz... Sterling Morrison morreu dois anos depois e Maureen Tucker parece ter aderido ao Tea Party sendo uma feroz crítica de Obama e das políticas que acredita estarem a conduzir a América ao socialismo... Esta senhora, no entanto, tocou bateria de pé para os Velvet Underground. Eu sei bem. Ainda a consegui ver...

sábado, 6 de agosto de 2011

Amy Winehouse

O dia em que eu... soube que Amy Winehouse tinha morrido -

O dia em que eu... soube que Amy Winehouse tinha morrido

A morte é sempre uma tragédia, sobretudo quando rouba à vida o tempo das grandes realizações. Foi assim com Amy Winehouse, tal como tem sido assim com dezenas de outras estelas desde que a cultura pop tal como hoje a conhecemos foi inventada, algures entre o abanar de ancas teledifundido de Elvis Presley e a primeira aterragem dos Beatles em Nova Iorque perante um batalhão de fotógrafos. Estrelas como Amy nascem, vivem e morrem sob os holofotes, sem a possibilidade de nenhum recato. Claro que, na esmagadora maior parte dos casos, as escolhas que colocam estas estrelas perante tal exposição são quase sempre da sua própria responsabilidade. O jogo da fama, é fácil de perceber, pode ser viciante e esvaziar qualquer possibilidade de fuga. E depois é fácil dizer que já todos vimos este filme. Eu já vi este filme.

A morte de Amy Winehouse voltou a levantar algumas questões, recorrentes nestes casos. Mede-se o grau de previsibilidade ou de choque perante a notícia, tenta-se perceber se o caminho que conduziu a tal desfecho era ou não claro e depois amplificam-se as emoções através de artigos, reportagens, evocações. E mesmo que o filme se vá repetindo, a verdade é que há sempre diferentes nuances a recortar o carcter singular de cada uma destas histórias: a morte de Amy não foi igual à de Michael Jackson, que pouco ou nada teve a ver com a de Kurt Cobain, e por aí adiante. Reduzir a morte de artistas pop de primeira linha a um estereótipo seria aliás a maior desonra à sua memória, por muito que haja coincidências na idade, nos desfechos ou nos vícios e nas virtudes que todos ostentaram em vida. Os fantasmas que atormentavam Kurt não eram certamente os mesmos que empurraram Amy para o abismo, por muito que ambos tenham tomado as mesmas substâncias. Inegável, porém, é que ambos produziram música que definiu momentos específicos no tempo, música que possui aquela rara capacidade de sobreviver ao tempo e de projetar a memória dos seus autores no futuro. Quase como se Amy, Kurt e outros tenham decidido viver naquelas canções e em mais lugar nenhum.

E isso obriga-nos a pensar no que sentimos, quando estas notícias são divulgadas. Em conversa recente com um amigo, numa estação de rádio, fiquei a saber que ele chorou com a notícia da morte de Amy e com a de Gil Scott-Heron em maio último. Eu não posso dizer que tenha vertido uma lágrima sequer, nem num caso, nem no outro. E não sou propriamente um tipo empedernido: a quantidade de filmes de família com cãezinhos perdidos ou amantes desavindos ou pais e filhos reencontrados ou que quer que seja que me fazem verter lágrimas como uma Maria Madalena é prova clara disso. O mesmo na música: o "I'm So Lonesome I Could Cry" na voz dos Cowboy Junkies (aliás, todo o Trinity Session ), o "Hallelujah" do Leonard Cohen, o Songs fro Drella de John Cale e Lou Reed, o "Martha" do Tom Waits, o Dummy dos Portishead, o A Love Supreme de Coltrane... a lista é enorme. Todos esses discos têm a estranha capacidade de alagar o meu olhar e nalguns casos precisamente por causa disso até evito ouvi-los. E no entanto, apesar de nunca ter sido dado a poupanças no departamento das lágrimas, nada. Nem no fim-de-semana de visita familiar em que soube do que tinha sucedido a Amy, nem no passeio pelos labirintos do Facebook, quando fui surpreendido na esquina de um post qualquer com a notícia da morte de Gil. Porquê?

A resposta é muito simples: eu não os conhecia, conhecia somente alguma da música que fizeram e por muito que essa me tenha tocado, e tocou, em ambos os casos, não me atreveria a presumir que os conheço e que lhes vou sentir a falta. Da música sim, mas essa é uma razão egoísta, que não merece lágrimas. E de alguma maneira sinto, mesmo, que essa ausência de lágrimas pode até ser a mais sentida homenagem que lhes posso fazer. É que tudo lhes aconteceu em público: o nascimento, as dores de crescimento, os dramas de coração, a lenta ou rápida agonia da degradação, a morte. Permitir que as respetivas famílias chorem em privado, sem o eco de milhares de desconhecidos que querem fazer o mesmo, é mesmo o mínimo que podemos fazer nessas alturas. E depois, garantir que a música não pára de tocar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bon Jovi no Parque da Bela Vista, Lisboa

Bon Jovi no Parque da Bela Vista, Lisboa [texto + fotogaleria] -

Bon Jovi no Parque da Bela Vista, Lisboa

56 mil pessoas (números da organização) assistiram ao último concerto da presente digressão dos Bon Jovi. Mãos ao alto e corações inflamados na Bela Vista.

 

Houve um momento, na reta final do concerto dos Bon Jovi em Lisboa, ontem à noite, que deverá ficar marcado na memória dos milhares de fãs que trocaram o sossego dominical pela romaria à Bela Vista. No final de "Wanted Dead or Alive", uma das músicas pelas quais Jon Bon Jovi disse, em entrevista, que não se importaria de ser recordado, o duo dinâmico, carismático e fotogénico desta banda - Jon e Richie Sambora, pois então - para uns segundos para contemplar a imensa plateia que tem à sua frente. No meio de tanto showbizz e tanta, compreensível, encenação (afinal, não se põe uma máquina destas em andamento com base no improviso), a pausa parece espontânea e o sorriso da dupla tão genuíno como a ovação. Esta é a última noite da digressão "best of" dos Bon Jovi, possivelmente a última em alguns anos, e podemos dar-nos ao luxo de pensar que a emoção sem palavras que percorre o rosto dos dois veteranos é verdadeira. Às vezes, um momento destes é o que basta para tornar um concerto profissionalão, mas que mal se distinguiria do anterior, numa qualquer outra cidade, em algo mais personalizado e próximo do coração. Que, logo a seguir, a banda tenha acedido aos pedidos dos fãs das primeiras filas e tocado a canção que traziam escrita em dezenas de cartazes - a pouco rodada "I Believe", do longínquo Keep The Faith - reforçou a ideia de que a máquina dos Bon Jovi, alimentada a canções de otimismo, esperança, amor e alguma consciência de classe, é suficientemente flexível para uma ou outra bem-vinda surpresa.
Num local tão imenso como o Parque da Bela Vista, o espetáculo de palco que os Bon Jovi trouxeram também saiu vencedor. Mesmo quem estivesse "na cauda" do recinto sentia um mínimo de proximidade com o que se passava em palco pois, no enorme meio círculo acima do mesmo, eram projetadas imagens, em tamanho gigante e em tempo real, dos músicos. Algumas canções tinham direito a pequenos filmes pré-preparados (destaque para as mulheres sensuais que acompanharam o medley de "Bad Medicine") mas, nos momentos em que a cumplicidade entre Jon e Richie era o mais importante ("Wanted Dead or Alive", mas também "I'll Be There For You", balada bem resgatada ao álbum New Jersey ), o ecrã refletia isso mesmo, sem outras distrações visuais. Foi, mercê deste equilíbrio e da criatividade de algumas soluções - como o fogo de artifício virtual, certamente mais ecológico que o verdadeiro - um dos melhores palcos que já vimos passar por Portugal.
A noite de música começou quando o sol ainda derramava os últimos raios sobre a Bela Vista, depois de um trailer quase cinematográfico e com um impressionante mar de telemóveis a registar (e iluminar) o momento. "Raise Your Hands", do ancião Slippery When Wet , serviu de mote à abertura e complicou a vida a quem planeava passar o concerto agarrado ao concerto ou à máquina fotográfica. A passagem de um avião, dos muitos que, ali, voam bem baixinho, ajudou ao efeito dramático deste arranque, seguido com estrondo por "You Give Love a Bad Name". A excitação de ter um hit desta envergadura tão cedo, conjugada com o sorriso ofuscante de Jon Bon Jovi (e o avião a quem toda a gente diz adeus), coloca o espetáculo no trilho do sucesso. A norma, com os Bon Jovi, é não falhar, quer na manga se tenha a fantasia romântica mais singela ("Born To Be My Baby", "In These Arms"), a mensagem de esperança ("We Weren't Born To Follow", "It's My Life", "Keep The Faith") ou a melancolia tingida de country ("Lost Highway", "Who Says You Can't Go Home").
Homem de família e homem de trabalho ("Não vamos perder tempo a falar, que há muitas músicas para tocar", diz a certa altura), Jon Bon Jovi continua a dominar a multidão ("Ele sabe cativar as pessoas", comentava uma senhora a nosso lado. "Johnny, faz-me um filho!", berrava um seu amigo). E com as suas mensagens simples e a sua jaqueta vermelha (no encore, substituída por t-shirt transpirada e blusão de cabedal), apela com sucesso à comunhão e a um sentido de família que começa na banda. À exceção do baixista Hugh McDonald, que como não é membro de raiz está no que parece ser o "quarto dos fundos" do palco, tanto Richie Sambora como David Bryan (que cantou em "In These Arms") e Tico Torres são os músicos que sempre nos habituamos a ver no papel de secundar o sonho rock 'n' roll de Jon Bon Jovi. Há aqui confiança no que eles fazem, que é entreter-nos nesta noite amena de domingo. E esse capital de confiança e respeito faz com que "(It's Hard) Letting You Go", balada quase gospel de These Days , seja escutada com o silêncio possível, ou que ninguém pareça zangado por êxitos como "Bed of Roses" terem ficado de fora e canções desconhecidas do grande público, como "Captain Crash & the Beauty Queen of Mars", que não destoaria num disco dos Killers, ganharem o seu lugar no alinhamento.
Tal como previsto, houve dois encores, um dos quais precedido por uma grande ovação à banda, que se uniu de mãos dadas em palco. Também aqui os Bon Jovi deram ao povo o que o povo queria ouvir - a hiper balada "Always", cujo refrão berrado a 56 mil vozes se deve ter ouvido na Margem Sul do Tejo - e aquilo que, aparentemente, lhes dá prazer tocar e quiseram também lembrar neste adeus aos palcos: "I Love This Town", do seu disco mais country, Lost Highway . A despedida fez-se ao som de "Twist and Shout", mas tal como Jon Bon Jovi diz não se importar de ser recordado por "Wanted Dead or Alive" e "Livin' on a Prayer", não faremos um mau serviço se resumirmos este concerto com base nessas duas músicas: o riff misterioso e a letra solitária da primeira, cantada por quase 60 mil pessoas, e a saga de Tommy e Gina gritada com ganas de "vítimas" de crise, e com um mosaico de muita gente diferente no ecrã gigante, como que espelhando o seu apelo universal. Algures pelo meio, Jon Bon Jovi agradeceu, prosaicamente, "o apoio e a amizade" emprestados pelo público português à sua banda nos últimos 30 anos e garantiu que esta foi uma grande noite. Como faz todas as noites e como reconhece na letra da canção ( "I've seen a million faces and I've rocked them all" ). Mas... terá sido uma lagrimita que lhe vimos ao canto do olho? "We'll miss you too", confessou apenas no início do segundo encore. Fica-lhe bem a discrição.
ALINHAMENTO - BON JOVI NO PARQUE DA BELA VISTA, LISBOA 31 DE JULHO DE 2011
1. Raise Your Hands
2. You Give Love a Bad Name
3. Born To Be My Baby
4. We Weren't Born To Follow
5. Lost Highway
6. It's My Life
7. Get Ready
8. In These Arms
9. We Got It Goin' On
10. Captain Crash & the Beauty Queen From Mars
11. Bad Medicine / Gloria / Pretty Woman
12. (It's Hard) Letting You Go
13. When We Were Beautiful
14. I'll Be There For You
15. Who Says You Can't Go Home
16. I'll Sleep When I'm Dead
17. Any Other Day
18. Have a Nice Day
19. Keep The Faith
ENCORE
20. These Days
21. Wanted Dead or Alive
22. I Believe
23. This Ain't a Love Song
24. Livin' on a Prayer
ENCORE 2
25. Always
26. I Love This Town
27. Twist and Shout

sábado, 30 de julho de 2011

Bon Jovi em Portugal

Bon Jovi: veja aqui como chegar ao Parque da Bela Vista de transportes públicos -

Bon Jovi: veja aqui como chegar ao Parque da Bela Vista de transportes públicos

Autocarros especiais vão fazer ligação entre recinto e vários pontos de Lisboa. Metro reforça serviço no próximo domingo. Também haverá comboio extra para o Porto. Saiba mais.

Agendado para o próximo dia 31 de julho (domingo) , o concerto dos Bon Jovi deverá levar até ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, largos milhares de espetadores.
A promotora do concerto disponibilizou informação sobre os transportes públicos para o recinto . Saiba aqui como chegar ao Parque da Bela Vista.

  • Carris : duas carreiras especiais vão partir da Rua Pedro Cruz, entre a saída do recinto e a rotunda da Bela Vista. Uma segue para a Estação do Oriente , com paragem na Praça do Aeroporto. A outra vai para Belém , com paragem em Entrecampos, Marquês de Pombal, Rato, Estrela e Calvário. O valor do bilhete, comprado a bordo, é de 1,75 euros . Nestas carreiras são válidos os cartões 7 Colinas e Viva Viagem, mas não os passes.
  • Metro de Lisboa : o serviço nas linhas verde e vermelha será prolongado. O último comboio passa na estação da Bela Vista, nos dois sentidos, às 01h15 . Haverá metros a passar de sete em sete minutos.
  • CP : Comboio Intercidades especial com destino ao Porto , com saída da estação Roma/Areeiro (na Avenida Frei Miguel Contreiras, perto da Avenida Gago Coutinho, a cerca de 15 minutos a pé do Parque da Bela Vista). O comboio sai da estação Roma/Areeiro à 1h15 , com paragens nas estações de Oriente, Santarém, Entroncamento, Pombal, Coimbra-B, Aveiro, Espinho, Gaia e chegada ao Porto Campanhã às 4h25 . Bilhetes à venda nas bilheteiras da CP, no Multibanco, nas agências de viagem e em NetTicket.

    Bon Jovi: veja aqui como chegar ao Parque da Bela Vista de transportes públicos -

    A Everything is New alerta ainda para a necessidade de comprar os bilhetes de ida e volta com antecedência , por forma a evitar filas.
    No domingo, as portas do Parque da Bela Vista abrem às 16h00 e o espetáculo, com primeira parte dos portugueses Klepht e RedLizzard (estes últimos vencedores de um concurso para abrir o concerto), começa às 19h30 . Os bilhetes custam 55 euros.

    Ler mais: http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/75399#ixzz1TcJbfvNC

  • sábado, 23 de julho de 2011

    nouvelle vague

     

     

    sons serenos dos nouvelle vague

     

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    Os Nouvelle Vague são um colectivo musical francês, cujos produtores são Marc Collin e Olivier Libaux. O nome deriva de um jogo de palavras que se refere simultaneamente à cultura Francesa dos envolvidos e ao movimento artístico do cinema francês dos anos 60. As suas músicas são essencialmente covers de músicas punk e new wave dos anos 80, misturadas com um cheirinho de bossa nova.

    Desde a primeira vez que tive a felicidade de ouvir os sons desde grupo que me apercebi da existência de algo mágico, com a capacidade de recriar novos mundos estéticos, sem no entanto perder a essência das canções originais.

    Para acompanhar o artigo de hoje, escolhi uma música que mexe comigo de uma forma paradoxal; uma música que acompanha o espírito em momentos extremos, de felicidade e tristeza, de melancolia e êxtase... e que bem que sabe.

     

     

    Vivian Maier

    Vivian Maier - A fotógrafa dos filmes não revelados

     

    Quando o acervo de uma babá de Chicago que fotografava cenas de rua nos anos 50 foi encontrado por acaso num leilão e comprado por 400 dólares, ninguém poderia imaginar que a história, que parece mais um roteiro de filme de aventura, seria a revelação de uma fotógrafa que merece todo o reconhecimento depois de anos de obscuridade.

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    Se uníssemos em uma só mulher a mágica de Mary Poppins, o olhar curioso sobre o mundo de Amélie Poulain e certa dose de excentricidade de Frida Kahlo, provavelmente o resultado seria uma mulher plural como Vivian Maier.

    Vivian Maier nasceu em Nova York, em 1926. Filha de uma francesa e de um austríaco, passou alguns anos na França, retornando aos EUA definitivamente em 1951. Ela viveu em Nova York por um tempo e, após esse período, mudou-se para Chicago, onde passou o resto de sua vida trabalhando como babá.

    Isso poderia ser uma história comum, como milhares que existem por aí, mas, além do talento para cuidar de crianças (segundo as famílias para quem trabalhou, ela era tão especial quanto Mary Poppins), Vivian possuía um olhar muito pessoal para a fotografia.

    Durante todo o tempo em que trabalhou como babá, e quem sabe até mesmo antes disso, ela fotografou a vida nas ruas. Suas imagens mostram pessoas de todas as camadas da sociedade, de diversas faixas etárias e em várias situações. As fotografias ilustram principalmente a sociedade americana das décadas de 50 e 60. Imagens de senhoras de classe mais abastada passeando calmamente pelas ruas, mendigos dormindo nas calçadas e crianças brincando formam um retrato da vida da época.

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    Mas não foi apenas a sociedade americana que a artista retratou: um dia Maier decidiu, segundo o relato da família para quem ela trabalhava na época, colocar uma substituta em seu lugar e passar seis meses viajando pelo mundo. O resultado disso são fotos tiradas em Los Angeles, Manila, Bangkok, Taiwan, Vietnã, Egito, Beijing, Itália, França, Argentina e Nova York.

    Boa parte das fotos reveladas até agora são das décadas de 1950 ou 60, mas sabe-se que existem ainda muitas fotos a serem reveladas que foram captadas nos anos posteriores.

    Contudo, apesar de todos os anos que passou tirando fotos, ninguém conhecia o seu trabalho, nem mesmo as pessoas para quem ela trabalhou. Isso porque Maier era extremamente reservada em sua vida pessoal. Nunca mostrou sequer uma fotografia para alguém e centenas de rolos de filmes continuaram sem ser revelados, ou seja, nem ela mesma viu como as imagens ficaram. Isso só mudou quando, em 2007, seus pertences foram leiloados, por não ter quitado algumas dívidas.

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    John Maloof, na época o co-autor de um livro sobre um bairro de Chicago, pesquisava imagens do local e foi ao leilão com a intenção de comprar algumas fotografias que pudessem ajudar no seu trabalho. Nesse evento, ele comprou uma caixa com 30,000 negativos nos quais não havia nenhum indício de quem fosse o autor. Mas logo percebeu que essas imagens não iriam ajudá-lo na pesquisa e as deixou guardadas, até que sua curiosidade o levou a deter um olhar mais atento sobre elas.

    John percebeu que as fotos eram muito boas, que o autor daquelas imagens possuía um olhar diferenciado e decidiu comprar outros negativos. Em meio a esses negativos e rolos de filme ele encontrou um referência ao nome da autora, até então desconhecida. Fez algumas pesquisas e não encontrou nenhum resultado sobre ela. Mas, em 2009, uma nova busca pelo nome da babá revelou o obituário de um jornal local, relatando seu falecimento poucos dias antes da data da pesquisa.

    Diante desse novo resultado, John pode pesquisar mais sobre a vida de Vivian, entrou em contato com famílias para quem ela trabalhou e criou um blog para divulgar as fotografias. Além do blog, o projeto inclui a publicação de um livro com as imagens da fotógrafa e a filmagem de um documentário sobre ela.

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    Muitos aspectos da vida de Maier ainda continuam obscuros. Ela era uma mulher muito reservada. As famílias que a empregaram relatam que ela nunca telefonava e que eles não conheceram ninguém que tivesse algum tipo de relação com ela. Sobre a sua personalidade todos concordaram que ela era um tanto excêntrica. Era uma anti-católica, feminista, socialista e crítica de cinema. Aprendeu inglês indo a teatros, mas seu inglês tinha um forte acento francês. Vestia-se diferente das mulheres de sua época, usando jaquetas e sapatos masculinos, além de um grande chapéu. E o acessório permanente que usava era a câmara pendurada ao pescoço.

    Existe um questionamento sobre o que Vivian Maier pensaria do projeto que envolve suas fotos. Muitas pessoas argumentam que ela mesma não faria isso - então, quem sabe seja uma invasão da privacidade à qual ela era tão apegada.

    Isso nunca saberemos. O que nos resta é torcer para que nas centenas de fotos que ainda serão reveladas possamos continuar enxergando o mundo através da ótica peculiar dessa mulher.

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    terça-feira, 19 de julho de 2011

    Mercury Prize

     

     

     

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    Mercury Prize: conheça os 12 nomeados e vote nos seus favoritos

    Vencedor é anunciado a 6 de setembro. PJ Harvey, Elbow, Anna Calvi, Metronomy e James Blake entre nomeados.

    A lista de 12 nomeados para o Mercury Prize, uma das distinções mais importantes em Inglaterra, foi hoje conhecida.
    James Blake e Anna Calvi, que recentemente estiveram no Optimus Alive'11; PJ Harvey, que este ano lançou o aclamado Let England Shake , e os Elbow, que no passado sábado tocaram no Super Bock Super Rock, são alguns dos possíveis vencedores.
    A campeão de vendas Adele encontra-se também no rol dos nomeados. Em 2010, os vencedores foram os londrinos The xx. Conheça aqui os nomeados de 2011 e diga-nos: quem é o seu favorito à vitória no Mercury Prize 2011?


    Anna Calvi - Anna Calvi

    Elbow - Build A Rocket Boys!

    James Blake - James Blake

    Katy B - On A Mission

    Metronomy - The English Riviera

    PJ Harvey - Let England Shake

    Tinie Tempah - Disc-Overy

    Everything Everything - Man Alive

    King Cresote & John Hopkins - Diamond Mine

    Adele – 21

     

    Ghost Poet - Peanut Butter Blues & Melancholy Jam

    Gwilym Simcock - Good Days at Schloss Elmau

    sábado, 16 de julho de 2011

    MÚSICAS E MÚSICOS ETERNOS

    MÚSICAS E MÚSICOS ETERNOS
    Hoje resolvi viajar na emoção
    Das músicas antigas
    Não dos anos oitenta e setenta
    Mas dos anos cinqüenta e sessenta
    Onde o rock surgiu num frenesi
    Guitarra elétrica e o corpo numa dança apressada
    Gritava ao mundo sou rebelde
    Bill Haley, Chuck Berry, Little Richard
    O rei do rock Elvis Presley
    Só quem viveu é quem sabe
    O quanto foi intenso
    Esta década da vida
    Chega então com o mesmo ritmo os anos sessenta
    Num estalo surge o maior sucesso de todos os tempos
    Que fez o mundo inteiro aplaudir
    E dançar muito ao som dos “The Beatles”
    Anos rebeldes, grandes movimentos pacifistas
    E manifestações contra a Guerra do Vietnã
    Aconteceu então no meio de tantos gritos
    O Festival de Woodstock símbolo deste período
    Lá estavam eles; Jimi Hendrix e Janis Joplin
    Milhões de jovens comparecem ao concerto,
    Que teve como lema “paz e amor”
    Como a música fazia parte
    Cantar era também a forma de contestar
    A guerra que o mundo teimava em ativar
    Os jovens tinham seus ídolos
    Que se consagraram para o mundo
    De The Rolling Stones, Pink Floyd, The Doors. Bob Dylan
    A tantos outros que brilhavam e encantavam seus fãs
    Assim a música surgiu em minha vida
    Para mim a época que mais talentos musicais tivemos
    De uma forma tão marcante que se eternizaram
    Sempre serão ouvidos e idolatrados
    Em todas as épocas e idades
    Nesses anos dourados eu menina
    Ficava entusiasmada
    Ouvindo a repercussão de todo aquele movimento
    E já ensaiava um rock ainda calçando 33
    Com o som do meu irmão nas alturas
    Mas no nosso Brasil surgia Celi campelo
    A primeira roqueira do País
    Cantando “Banho de Lua e Estúpido Cupido”
    E justamente nesse mês de julho
    O mundo comemorou no dia treze
    O Dia Mundial do Rock
    Minha gratidão
    A todos esses fantásticos músicos
    Que fizeram o mundo mais belo
    As emoções mais afloradas
    E que jamais passarão
    Glorinha Gaivota – GG
    Inverno -16/07/2011
    se quiserem ouvir:
    http://www.tropicalglen.com/

    domingo, 10 de julho de 2011

    © Fabio Stachi.

    A sedução do caos, por Fabio Stachi

     

    “Reflecte em macro o que sente: corpos, risos, choros, dores, luzes, sombras, texturas e matérias, fazendo de todos uma só composição e revelando toda diversidade que encontra em imagens. Nascido em São Paulo, formado em design, por presságio escolheu a fotografia como afecto e enamora a arte desde 2001." É assim que Fabio Stachi se apresenta, mas melhor é ver as suas fotos.

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    © Fabio Stachi.

    O gosto pela fotografia vem de criança e, com a Canon analógica que comprou na adolescência, fotografava tudo à sua volta. O primeiro trabalho – um catálogo de moda - surgiu aos 21 anos. Três anos depois, Fabio e a namorada, Patrícia Costa - que é também a musa protagonista de grande parte dos seus trabalhos - gosta de explorar limites e lugares abandonados no decorrer do processo criativo. Atrai-os a sensação de fotografar num lugar com história, que tenha já sido palco de outras pessoas e vidas. Nestes espaços, Fabio nunca utiliza luz artificial, apenas a natural, e não limpa chão nem paredes. Um dos trabalhos mais tensos que fizeram teve como cenário o manicómio em Brodowski, no interior de São Paulo. Aí chegaram mesmo a perder-se, no escuro, sem conseguir encontrar a saída.

    Patrícia, psicóloga e apaixonada pelo mundo da fotografia (e pelo fotógrafo) não se incomoda com os cenários sujos. Com a missão de unir mente, corpo e coração, gosta de provocar - a si própria e aos outros - com imagens e palavras. Para Fabio, ela é “mais de metade do meu trabalho. Ela enfrenta, gosta, se empolga, não tem erro. Se eu falar para ela deitar num chão imundo com um centímetro de poeira, ela vai. Posso contar com ela para o que for. Acaba ficando um trabalho sem restrições. Não é qualquer modelo que faz isso.” .

    fabio, fotografia, stachi

    fabio, fotografia, stachi

    Em primeiro lugar, nasce o conceito; depois, a procura do melhor local e modelo para o ensaio; por último, a encenação. Nesse momento, dependendo da luz, das condições atmosféricas e mesmo do estado emocional dos envolvidos, tudo pode mudar. O resultado é, normalmente, um irresistível e apaixonante contraste entre a sedução provocadora de Patrícia – que ela diz ser absolutamente acidental - e os cenários caóticos captados pela objectiva de Fabio. O foco: as emoções humanas; a procura constante pelo lado intimista, expressionista, psicológico, sem a preocupação com regras ou conceitos estéticos. A missão não é tirar fotografias bonitas; o objectivo é mexer com os sentimentos de quem vê. Missão cumprida.
    Veja o site de Fabio.

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