TEMATICA VARIADA, COM MAIOR INCIDÊNCIA NA MUSICA GENERALISTA, E NA FOTOGRAFIA, OBVIAMENTE COMO PILAR DE ESTAS DUAS FORMAS DE ARTE, ESTARÁ A POESIA
sexta-feira, 4 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Estrelas de vigia
Estrelas de vigia
Sendo a noite eo dia
Cada estrela de vigia
Silêncio rumoroso
Sangrento sol empoleirado
Bebendo a luz do nosso amor
Tempo velho / Escuro
Deixado no lago da insatisfação´
Enquanto cansado
Sob a insónia do desprazer
O tempo que tempo não foi
Não deixou de ser tempo
Sendo a noite e o dia
O rio
E as estelas de vigia
by Jorge Pereira
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Lao Tsé
Cierra tus ojos y verás claramente.
Cesa de escuchar y oirás la verdad.
Permanece en silencio y tu corazón cantará.
No anheles ningún contacto y encontrarás la unión.
Permanece quieto y te mecerá la marea del Universo.
Relájate y no necesitarás ninguna fuerza, ni la energía de los demás.
Sé paciente y alcanzarás todas las cosas.
Sé humilde y permanecerás entero.
Lao Tsé
Mulher!
Naiff by Jorge Pereira
Mulher!
Na tela pintada por um pintor solitário
Um rabisco de beleza do teu olhar
Que me fixa e lentamente me hipnotiza
Uma flor colhida do Éden.
A tua delicada e macia pele
Tocada pelos Deuses latinos.
Os teus lábios juntos aos meus;
O encontro de dois Mundos distintos,
Dois sonhos que se cruzam e se unem
Dois corpos que na intimidade se formam num.
Dentro desse sonho abstracto e irreal
Uma imagem de uma Deusa bela como Vénus;
Preenche o altar vazio do meu coração
E enche de alegria o universo dos prazeres,
E as nossas mãos se cruzam neste ritual
Secreto e silencioso à sombra da luz da lua!
Uma palavra que nunca é pronunciada
Olhares interligados que se devoram;
Um perfume que queima a mais cruel das almas,
Uma cama que ficou por arrumar.
Perto de ti, tudo é irreal... Imaginário;
Uma carícia que me queima a pele;
Em odores exóticos e românticos.
by Jorge Pereira
terça-feira, 1 de maio de 2012
Mulheres que amaram animais
Leda teve um cisne; Pasífae, o touro branco de Poseidon. A mitologia grega tem alguns casos de mulheres em aventuras sexuais com animais. Já homens com animais, não consigo lembrar-me de nenhum.
"Leda e o cisne", a partir dum quadro de Miguel Ângelo.
São sem dúvida casos diferentes: afinal, Leda foi enganada por um deus disfarçado de cisne (devia sentir-se honrada com a visita, imagino), enquanto Pasífae desejou voluntariamente unir-se a um touro. Isto de voluntário não é bem assim. Pasífae foi a vítima escolhida pelo deus Poseidon, que queria vingar-se de Minos, o marido de Pasífae, por este o ter desrespeitado. Poseidon enviou então um magnífico touro branco como oferta a Minos, e com a ajuda de Afrodite fez com que Pasífae se apaixonasse pelo animal. A rainha pediu auxílio a Dédalo, o engenhoso Dédalo que mais tarde construiu o labirinto. O inventor criou uma vaca de madeira dentro da qual Pasífae se escondeu para seduzir o touro e unir-se sexualmente a ele. A história não teve um final feliz: desta união, nasceu o Minotauro, o monstro devorador de homens.
Pablo Picasso, "Pasifae".
André Masson, "Pasifae".
Leda é um outro caso: o da mulher desejada que acaba seduzida (como tantas outras) por Zeus. O pai dos deuses assume a forma dum cisne, e seduz e viola Leda numa noite em que esta dorme também com o marido, o rei Tíndaro. Desta dupla cópula nasceram os gémeos Castor e Pólux, e as também irmãs Helena (a de Tróia) e Clitemnestra. O tema de Leda e o Cisne teve grande sucesso entre os artistas do Renascimento, na sua exploração dos temas da antiguidade clássica. Afinal, permitia-lhes pintar aquilo que nunca poderiam representar entre dois seres humanos: sexo explícito.
Também Pasífae teve sucesso artístico, mas - talvez por a maior parte da arte que nos chegou ter sido feita por homens? - é a imagem da submissa Leda que predomina. Os homens sempre gostaram de ver mulheres a fazer coisas ousadas, sexualmente falando, e Leda encaixa perfeitamente nestas fantasias. Quanto a Pasífae, era o retrato duma mulher sem moral, que no fundo praticava o bestialismo. Como se isso não bastasse, era irmã de Circe e como esta tinha poderes de feitiçaria. Nada de bom se poderia esperar de uma mulher assim: uma mulher que dorme com quem quer, animais incluídos, é a origem dos mais terríveis males e monstruosidades.
Fresco Casa de Vettii, Pompeia: Pasífae e Dédalo com a vaca de madeira
Correggio, "Leda com o Cisne"
Outras culturas têm as suas próprias lendas e prescrições sobre o bestialismo e em várias religiões os deuses mascaram-se de animais para se relacionarem, sexualmente ou não, com os humanos. Seja qual for a moralidade destas histórias da mitologia grega, a verdade é que são terreno fértil para poetas e pintores. Gosto particularmente, no caso de Leda, do quadro de Correggio e de um outro feito a partir de Miguel Ângelo. E pessoalmente subscrevo as palavras do romeno Marin Sorescu, cujo poema se transcreve abaixo: Grande puta,/ esta Leda / Por isso é que o mundo continua/ Tão bonito.
Aqui ficam alguns poemas sobre Leda:
Leda, de Marin Sorescu
Leda passa sorrindo
Por entre as coisas
E vai para a cama
Com todas elas.
O muro fez-lhe um filho
Da hera,
O sol fez-lhe nascer
Um girassol.
Ela fez amor às claras
Com todos os bois,
À cabeça o boi Apis,
Mas, diabos a levem,
Nem sequer se nota.
Grande puta,
Esta Leda,
Por isso é que o mundo continua
Tão bonito.
Leda e o Cisne, de W.B. Yeats (tradução de Paulo Vizioli)
Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.
Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?
Um tremor nos quadris engendra incontinente
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.
Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente.
Leda, de Ruben Dario
El cisne en la sombra parece de nieve;
su pico es de ámbar, del alba al trasluz;
el suave crepúsculo que pasa tan breve
las cándidas alas sonrosa de luz.
Y luego en las ondas del lago azulado,
después que la aurora perdió su arrebol,
las alas tendidas y el cuello enarcado,
el cisne es de plata bañado de sol.
Tal es, cuando esponja las plumas de seda,
olímpico pájaro herido de amor,
y viola en las linfas sonoras a Leda,
buscando su pico los labios en flor.
Suspira la bella desnuda y vencida,
y en tanto que al aire sus quejas se van,
del fondo verdoso de fronda tupida
chispean turbados los ojos de Pan.
De Pasifae, a terminar, um poema em inglesa de A.D. Hope pode ser lido neste site.
Baixo-relevo de Leda e o Cisne, autor desconhecido.
Leda, por Dali
Leda e o cisne num mosaico cretense
Paul Cézanne, Leda e o Cisne
Matisse, Leda e o Cisne
Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2011/11/mulheres_que_amaram_animais.html#ixzz1tf5ZSxLz
publicado em artes e ideias por tajana | 6 comentários
Leda teve um cisne; Pasífae, o touro branco de Poseidon. A mitologia grega tem alguns casos de mulheres em aventuras sexuais com animais. Já homens com animais, não consigo lembrar-me de nenhum.
"Leda e o cisne", a partir dum quadro de Miguel Ângelo.
São sem dúvida casos diferentes: afinal, Leda foi enganada por um deus disfarçado de cisne (devia sentir-se honrada com a visita, imagino), enquanto Pasífae desejou voluntariamente unir-se a um touro. Isto de voluntário não é bem assim. Pasífae foi a vítima escolhida pelo deus Poseidon, que queria vingar-se de Minos, o marido de Pasífae, por este o ter desrespeitado. Poseidon enviou então um magnífico touro branco como oferta a Minos, e com a ajuda de Afrodite fez com que Pasífae se apaixonasse pelo animal. A rainha pediu auxílio a Dédalo, o engenhoso Dédalo que mais tarde construiu o labirinto. O inventor criou uma vaca de madeira dentro da qual Pasífae se escondeu para seduzir o touro e unir-se sexualmente a ele. A história não teve um final feliz: desta união, nasceu o Minotauro, o monstro devorador de homens.
Pablo Picasso, "Pasifae".
André Masson, "Pasifae".
Leda é um outro caso: o da mulher desejada que acaba seduzida (como tantas outras) por Zeus. O pai dos deuses assume a forma dum cisne, e seduz e viola Leda numa noite em que esta dorme também com o marido, o rei Tíndaro. Desta dupla cópula nasceram os gémeos Castor e Pólux, e as também irmãs Helena (a de Tróia) e Clitemnestra. O tema de Leda e o Cisne teve grande sucesso entre os artistas do Renascimento, na sua exploração dos temas da antiguidade clássica. Afinal, permitia-lhes pintar aquilo que nunca poderiam representar entre dois seres humanos: sexo explícito.
Também Pasífae teve sucesso artístico, mas - talvez por a maior parte da arte que nos chegou ter sido feita por homens? - é a imagem da submissa Leda que predomina. Os homens sempre gostaram de ver mulheres a fazer coisas ousadas, sexualmente falando, e Leda encaixa perfeitamente nestas fantasias. Quanto a Pasífae, era o retrato duma mulher sem moral, que no fundo praticava o bestialismo. Como se isso não bastasse, era irmã de Circe e como esta tinha poderes de feitiçaria. Nada de bom se poderia esperar de uma mulher assim: uma mulher que dorme com quem quer, animais incluídos, é a origem dos mais terríveis males e monstruosidades.
Fresco Casa de Vettii, Pompeia: Pasífae e Dédalo com a vaca de madeira
Correggio, "Leda com o Cisne"
Outras culturas têm as suas próprias lendas e prescrições sobre o bestialismo e em várias religiões os deuses mascaram-se de animais para se relacionarem, sexualmente ou não, com os humanos. Seja qual for a moralidade destas histórias da mitologia grega, a verdade é que são terreno fértil para poetas e pintores. Gosto particularmente, no caso de Leda, do quadro de Correggio e de um outro feito a partir de Miguel Ângelo. E pessoalmente subscrevo as palavras do romeno Marin Sorescu, cujo poema se transcreve abaixo: Grande puta,/ esta Leda / Por isso é que o mundo continua/ Tão bonito.
Aqui ficam alguns poemas sobre Leda:
Leda, de Marin Sorescu
Leda passa sorrindo
Por entre as coisas
E vai para a cama
Com todas elas.
O muro fez-lhe um filho
Da hera,
O sol fez-lhe nascer
Um girassol.
Ela fez amor às claras
Com todos os bois,
À cabeça o boi Apis,
Mas, diabos a levem,
Nem sequer se nota.
Grande puta,
Esta Leda,
Por isso é que o mundo continua
Tão bonito.
Leda e o Cisne, de W.B. Yeats (tradução de Paulo Vizioli)
Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.
Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?
Um tremor nos quadris engendra incontinente
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.
Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente.
Leda, de Ruben Dario
El cisne en la sombra parece de nieve;
su pico es de ámbar, del alba al trasluz;
el suave crepúsculo que pasa tan breve
las cándidas alas sonrosa de luz.
Y luego en las ondas del lago azulado,
después que la aurora perdió su arrebol,
las alas tendidas y el cuello enarcado,
el cisne es de plata bañado de sol.
Tal es, cuando esponja las plumas de seda,
olímpico pájaro herido de amor,
y viola en las linfas sonoras a Leda,
buscando su pico los labios en flor.
Suspira la bella desnuda y vencida,
y en tanto que al aire sus quejas se van,
del fondo verdoso de fronda tupida
chispean turbados los ojos de Pan.
De Pasifae, a terminar, um poema em inglesa de A.D. Hope pode ser lido neste site.
Baixo-relevo de Leda e o Cisne, autor desconhecido.
Leda, por Dali
Leda e o cisne num mosaico cretense
Paul Cézanne, Leda e o Cisne
Matisse, Leda e o Cisne
O Frasco Azul
O Frasco Azul
O frasco azul, num armário, esquecido
de vidro e tampa dourada
Guarda o perfume de um tempo perdido
Memórias com rosto de quem foi amada
De vidro e tampa dourada
Mas corajoso guarda o seu maior bem
O rastro de um sorriso que tanto gostava
... Sonhos e estórias de mais ninguém
O frasco azul, num armário, esquecido
Guarda a dor do meu coração ferido
Na hora em que a saudade nasceu
Apenas de vidro e tampa dourada
Encolhido num canto, tão perto do nada
Jazigo azul de um amor que morreu
by Jorge Pereira
segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
Caio Fernando Abreu
Entrar na realidade
Em luta, meu ser se parte em dois.
Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não.
Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora.
No que está sendo.
Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim,
de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço.
Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar,
mas enfrentar e ...penetrar no que está sendo é coragem.
Pensar é ainda fuga:
aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar.
Entrar nela significa viver.
_________Caio Fernando Abreu
Perco teu mapa
Perco teu mapa
Perco teu mapa
Em cada porto da saudade
A canoa atraca
E não te achando.
Retorno ao mar
Enfrentando a tempestade
O medo / a solidão
E faminto
Fixo-me ao leme da esperança
Temendo a perda de forças
O desvio do porto seguro´
Mar brando / Báia Cristalina
Canoa dos sonhos
Quando o tempo
Em tua ausência / corre
Pondo a embarcação em perigo
Enfraquecendo o amor
Desviando-o....
E não te encontrando
Perco-me de tua rota.
by Jorge Pereira
Perco teu mapa
Perco teu mapa
Perco teu mapa
Em cada porto da saudade
A canoa atraca
E não te achando.
Retorno ao mar
Enfrentando a tempestade
O medo / a solidão
E faminto
Fixo-me ao leme da esperança
Temendo a perda de forças
O desvio do porto seguro´
Mar brando / Báia Cristalina
Canoa dos sonhos
Quando o tempo
Em tua ausência / corre
Pondo a embarcação em perigo
Enfraquecendo o amor
Desviando-o....
E não te encontrando
Perco-me de tua rota.
by Jorge Pereira
Labirinto do amor
Labirinto do amor
Acordo
E diviso
Vislumbro o amanhã esquecido´
Envolto no apetecivel
No evidente conteúdo....
Enquanto a vida
Sorrindo e chorando
De mão estendida
Espera-nos
Vertendo os desperdicios do nosso tempo´
Juizos incalculáveis
No desagrado
Entregues á alma
Com pedaços de vazio
by Jorge Pereira
Klimt e a eterna atração pelo feminino
Este ano comemoram-se 150 anos do nascimento de Gustav Klimt (1862-1918), um dos grandes artistas europeus e um dos percursores da vanguarda vienense. Sua vida foi tão intensa quanto sua obra, e em ambas a paixão pelas mulheres - em seu intimo e despidas de vestes e valores morais - foi seu guia. Nuas, vestidas, deitadas, em movimento ou em momentos íntimos - poucos artistas estiveram tão envolvidos com o universo feminino.
© Gustav Klimt, "Beethoven Frieze" (1901-02) , Belvedere, Viena.
Gustav Klimt viveu em Viena em um momento de efervescência. Durante o século XIX, a cidade se urbanizou; novas ideias a invadiam e atraiam intelectuais de diversas localidades. Um cenário intenso que permitiu muitas alterações no conhecimento científico, na sociedade e na arte. Antes de Klimt, a pintura praticada na cidade era provinciana e a maioria das obras eram retratos da elite vienense. O artista traz uma percepção do espirito humano, um estilo pictórico e decorativo, que vai influenciar o art nouveau. Suas obras são caracterizadas como pertencendo ao simbolismo, e dialogam com a arte japonesa e africana, o que resultou em uma pintura peculiar e muito própria.
© Gustav Klimt, "Palas Atena" (1898).
Foi nesse período que Klimt e mais dezoito artistas dissidentes da Associação dos Artistas Vienensesa criaram a Secessão Vienense, uma crítica à liberdade de criação tolhida pelas academias. Os membros da Secessão foram influenciados pelo movimento Arts and Crafts, da Inglaterra. O grupo buscava resgatar as qualidades do fazer artesanal contra a mecanização, integrando-o com a arte e arquitetura. O afresco Beethoven Frieze é um dos grandes exemplos desse período.
© Gustav Klimt, "As Três Idades da Mulher" (1905).
Ao deixar a Secessão, a obra de Klimt passou a ter um caráter mais pessoal. Assim, as mulheres tornaram-se o foco de atenção, uma verdadeira obsessão do pintor - que soube como retratá-las diante do novo século. Klimt utilizou-se das curvas femininas e do olhar evocativo das mulheres, sempre colocadas como figuras centrais, como verdadeiras armadilhas de sedução para o observador. A nudez é sempre crua, e as mulheres não são objetos passiveis para o prazer, mas para excitar com o seu próprio prazer. E o nu frontal, mostrando até mesmo os pelos pubianos, rompeu totalmente com o conservadorismo tanto da sociedade quanto das artes.
© Gustav Klimt, "Serpentes Aquáticas" (1904-1907).
A obra de Klimt possui um equilíbrio e um diálogo único entre o refinamento sensível e decorativo e a morbidez de sua figuras, que pendem para o simbolismo. Os ornamentos aparentam ser simbólicos em diversos momentos, criando ritmos nos elementos de cinzas e pérolas pálidos e dourado e prata vívidos. A ornamentação foi o caminho escolhido pelo artista para criar uma atmosfera de sonho, onde as figuras não estão ligadas a nenhum tempo ou local, repleta de alegorias que estimulam a imaginação.
© Gustav Klimt, "Fritza Riedler" (1906) , Belvedere, Viena.
© Gustav Klimt, "Frizo Stoclet - O abraço" (1905).
As joias, parte desta ornamentação, são de uma delicadeza e cuidado que atraem o olhar. Assim como as vestimentas. Em 2008, John Galliano apresentou em um desfile da Dior uma coleção totalmente inspirada nos vestidos usados pelas mulheres de Klimt em suas obras. O artista fez parte do Movimento pela Reforma do Vestuário, que pregava um novo tipo de vestimenta para as mulheres – assim como uma reforma nas regras de comportamento. Os vestidos tinham inspiração nas túnicas africanas de cortes largos e com tecidos de estampagem étnicos.
© Gustav Klimt, "Adele Bloch Bauer" (1907).
Outro elemento recorrente nas pinturas de Klimt são as ruivas. Influenciado pelos pré-rafaelitas, que popularizaram a imagem da mulher ruiva, nas obras do artista as madeixas vermelhas ganham o status de sedução e feminilidade.
© Gustav Klimt, "Danae" (1907-08).
Klimt realizou cerca de 3.000 desenhos eróticos, muitas vezes com cenas de sexo explícito – a maioria publicada após a sua morte. Além dos desenhos, muitas de suas pinturas trazem uma carga de intenso erotismo. O ato sexual é revisto através dos personagens clássicos da mitologia grega. A vida também é vista através da passagem do tempo e do sexo. Outra questão explorada por Klimt é o amor entre as mulheres, como na obra As Amigas. E quando o homem se faz presente nas pinturas, é como voyeur ou como complemento.
© Gustav Klimt, "Danae" (1907-08).
© Gustav Klimt, "O Beijo" (1908), Belvedere, Viena.
Klimt sentia-se atraído pela mitologia, principalmente pelas sereias – que eram vistas pelo artista como um símbolo ambíguo da feminilidade e perversidade da mulher. Em Água Agitada, as sereias são mulheres de extrema sensualidade, com seus corpos nus de formas sinuosas como se acompanhassem o movimento da água. Um verdadeiro simbolismo erótico. Muitas das mulheres retratadas pelo artista possuem corpos de uma incrível leveza, como se estivessem flutuando no ar ou na água, sem direção ou orientação.
© Gustav Klimt, "Água Agitada" (1898), Private Collection, Galeria St. Etienne, Nova Iorque.
Já em Judith I, o artista traz uma inovadora versão do mito. Ícone da mulher fatal capaz de submeter qualquer homem aos seus desejos, na obra de Klimt ela aparece sem disfarçar o prazer da dominação – como um prazer sexual - ao segurar a cabeça do general assírio por cuja morte foi responsável. Repleta de ouro – com um fundo em que Klimt buscou reproduzir os relevos assírios do palácio de Nínive – Judith aparece com a roupa transparente e os seios nus. Seus cabelos negros contrastam com os trabalhos em dourados. Uma feminilidade agressiva, onde a mulher tem o pleno poder, mas ainda é repleta de sensualidade.
© Gustav Klimt, "Judith" (1901), Belvedere, Viena.
No final da vida, Klimt abandonou o dourados e as cores fortes e passou a utilizar os tons pastel. Uma viagem à França também fez com que se encantasse pelo impressionismo e com isso alterasse suas pinceladas. Mas seu olhar permaneceu eternamente atraído pelas mulheres.
© Gustav Klimt, "Mäda Primavesi" (1912-13), Belvedere, Viena.
© Gustav Klimt, "Família" (1912-13), Belvedere, Viena.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Frida Kahlo
Frida Kahlo: a dor da vida, a dor da arte
publicado em artes e ideias por bianca vale | 1 comentário
Alguns artistas ultrapassam a fama adquirida por seu trabalho e tornam-se sua melhor arte. Esse foi o destino de Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, ou Frida Kahlo, a mexicana que transformou sofrimento em arte.
© Frida Kahlo, "As Duas Fridas" (1939).
Muitos artistas deixaram sua marca no mundo das artes pelo trabalho que fizeram, pelos quadros que pintaram, pela música que tocaram ou pelo poema que escreveram. Mas alguns poucos foram além e, mais do que a marca deixada por sua obra, confundem-se com ela e ficam eternizados pela sua própria imagem. São esses que se tornam ícones. E foi esse o destino da mexicana Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, ou simplesmente Frida Kahlo.
Simples é obviamente o adjetivo que menos combina com Frida. Sua complexidade tem origem na sua própria história: nascida em 1907, filha de um alemão e de uma mexicana, contraiu poliomielite aos seis anos, o que lhe deixou como sequela uma lesão no pé direito que lhe rendeu o apelido “Frida pata de palo” (Frida perna de pau). A partir daí começou a usar calças e saias longas estampadas, que vieram a se tornar uma de suas referências pessoais. Esse foi só o primeiro marco de como a construção do ícone Frida Kahlo partiu de sua própria dor. E era também só o primeiro de uma série de acontecimentos dolorosos de sua vida.
© Frida Kahlo, "Auto-retrato" (1926).
Aos 18 anos, Frida sofre um grave acidente: o bonde em que seguia colide com um trem, deixando-a meses entre a vida e a morte devido ao pára-choque que atravessou seu pélvis. Foi durante a recuperação que começou a pintar, usando o material de seu pai, que tinha a pintura como passatempo. O acidente deixou severas marcas a Frida, que teve que viver a partir de então com fortes dores no corpo e coletes ortopédicos.
© Frida Kahlo, "Coluna Rota" (1944).
Porém, talvez nenhum destes dois acontecimentos tenham sido tão intensos na vida da artista como seu relacionamento com o pintor mexicano Diego Rivera. A própria Frida resume bem a relação em seu diário, "Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e você. Você sem dúvida foi o pior deles."
A vida do casal foi marcada pela intensidade, tanto na paixão como nas calorosas brigas. Rivera e Kahlo dividiam a militância no partido comunista, o amor pelas artes e uma tendência a relacionamentos extraconjugais. Frida era bissexual, mas Rivera dizia não se importar com seus casos com outras mulheres; apenas os casos com outros homens o incomodavam... Um dos mais famosos, mas já depois da separação, foi com o revolucionário russo Leon Trótski.
© Frida Kahlo e Diego Rivera (Wikicommons, Carl Van Vechten).
Mas talvez nenhum dos relacionamentos extraconjugais de Frida a marcou tanto quanto a descoberta de que Diego tinha um caso com sua irmã Cristina há anos. Rivera teve 6 filhos com Cristina, e Kahlo nunca perdoou a irmã. Após saber desta traição, Frida separa-se de Diego, mas voltam a ficar juntos novamente em 1940, e assim permanecem até 1954, quando Frida é encontrada morta em sua casa devido a uma forte pneumonia. "Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar - Frida" foi a última frase escrita pela artista em seu diário.
Um ano antes de sua morte, Frida precisou amputar uns dos pés devido à gangrena, “Pés para que os quero, se tenho asas para voar?” escreveu Kahlo em seu diário, em mais uma demonstração de como era capaz de alterar sua própria percepção do sofrimento.
Em seus quadros, essa capacidade de transformar dor em belas imagens fica clara. É o caso de Columna Rota, de 1944, em que Frida se retrata com a coluna mutilada e o corpo coberto de pregos: a sua dor torna-se tão visível que é possível ao admirador senti-la. Em A árvore da esperança, de 1946, Kahlo pinta novamente sua dor, agora acrescida da esperança de um dia ver-se livre do sofrimento que as sequelas causaram, e para isso pinta duas Fridas: a que convalesce no leito e a que segura um colete agora já inútil. Frida pintou-se como duas em outro quadro, As duas Fridas, de 1939. Mostra-se aqui como uma mulher dividida pela dor lacerante do corpo e da instabilidade de seus relacionamentos, e que ao mesmo tempo é intensa, apaixonada e repleta de esperança. Em seu diário ela ainda acrescenta ''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''
© Frida Kahlo, "Árvore da Esperança" (1946).
Mais de 50 anos após sua morte, Frida Kahlo ainda continua sendo influência para muitos artistas. A personalidade forte que é possível ser notada no modo como se vestia, nas telas que pintava, na intensidade com que vivia e na forma como se comprometia com a cultura de seu país tornaram-na modelo de originalidade.
A casa em que viveu tornou-se um museu em sua homenagem, a Casa Azul. Sua vida foi retratada em dois filmes: em 1983, em Frida, natureza viva de Paul Leduc, e em 2002 em Frida, de Julie Taymor, onde foi interpretada por Salma Hayek.
Frida Kahlo teve na dor sua matéria; sua vida foi um turbilhão de sentimentos que a artista conseguiu canalizar em um só: paixão. Suas obras irradiam calor e vivacidade, mas não é só pelo seu trabalho que ela ainda encanta. Frida teve uma vida que faria muitas mulheres se vestirem de luto, mas ela preferiu vestir-se de flores.
terça-feira, 27 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Vinho: conhecer a história, perceber o presente
quarta-feira, 21 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Florbela Espanca. Poesia viva e sexualidade à flor da pele
O realizador Vicente do Ó apresentou esta semana o filme “Florbela”, sobre a vida da poeta de Vila Viçosa. Vanda Marques falou com vários investigadores e professores de literatura para perceber o que tem de especial a poesia de Florbela. A viagem chegou ao Brasil
Divorciada, poeta, mulher capaz de usar calças num tempo em que isso era impensável, filha de uma mãe de aluguer e de um pai que a acarinha, a educa, mas não a assume no papel. Uma das sete alunas de Direito na Universidade de Lisboa, sem nunca conseguir ser respeitada pelos círculos literários e entrar pela ilustre porta dos iluminados da literatura. Maltratada pelo salazarismo, que a vê como uma mulher fácil. “O jornal católico ‘A Época’ considerava o ‘Livro de Sóror Saudade’, típico de uma “escrava de harém”, desmoralizador, escrito por uma Vénus impudica; ele incitava Florbela a purificar os lábios com ‘carvão ardente’”, explica Maria Dal Farra, uma das maiores especialistas na obra de Florbela Espanca.
Mesmo assim, Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, nascida em 1894, nunca foi esquecida, como provam as várias edições dos seus sonetos e contos. “Na literatura portuguesa, Florbela é até certo ponto uma voz isolada. No entanto, aquela energia passional, um bocadinho vulcânica, às vezes escancarada, elementar – parece continuar a comunicar directamente com os leitores, passando por cima dos críticos, da Academia... Toda a gente entende Florbela, toda a gente tem o seu lado Florbela”, diz Ana Luísa Vilela, professora de Literatura na Universidade de Évora.
A investigadora define o que a torna única: “O ADN da poesia de Florbela é o mal-estar dos 15 anos, quando a vida é demasiada e a gente não se entende. A energia terrível da adolescência está lá toda, nos versos dela, e nós amamo-la por isso. Nunca nos ‘curamos’ de Florbela: ela é, exactamente, incurável. Como nós.”
Maria Dal Farra, professora brasileira da Universidade do Sergipe, conhecida como a maior florbeliana, tem mais uma explicação. “A Florbela é uma grande comunicadora. Ela dizia que suas cartas de amor não eram mais que a sua necessidade de fazer frases! Há nos seus versos a passada de um laço de intimidade com o seu interlocutor que o torna preso dos seus encantos femininos e poéticos. Ela entorta o estereótipo, ela inverte a vassalagem amorosa, ela faz declaração de cio com uma espontaneidade que desarma, e tudo dentro de uma delicadeza e elegância primorosas. Ela tem um poder de sedução danado!” A sexualidade feminina até então no armário é transformada em poesia, é reclamada como direito e louvada como tal.
Claudia Pazos-Alonso, professora na Universidade de Oxford, que escolheu Florbela como objecto da sua tese de doutoramento, quando percebeu que a autora ainda era pouco estudada, sublinha que essa é uma das suas singularidades. “A forma como encara e verbaliza a sexualidade feminina é excepcional”, explica ao i, por telefone. Basta recordar uma parte do soneto “Tarde no Mar”, publicado em “Charneca em Flor”, em 1930: “E, sobre mim, em gestos palpitantes/As tuas mãos morenas, milagrosas/São as asas do Sol, agonizantes...”. “Sua poesia mostra-nos a perfeita combinação entre o interdito (legado imposto historicamente às mulheres) e a satisfação por expressar seus desejos mais recônditos”, explica Fabio Mario Silva, doutorando em Literatura, na Universidade de Évora, que destaca ainda a relação da angústia com a saudade, sempre presente.
Trabalhar a palavra José Régio foi dos primeiros a falar do trabalho de Florbela de forma séria. Chamava-lhe poesia viva, e não “um simples bordado, ou devaneio sentimental”, como os seus contemporâneos faziam, aponta Nuno Júdice, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.
Florbela trabalhava o soneto e apostava na sofisticação da língua. “A forma como ela usa o soneto vai extravasar o seu uso normal ”, defende Claudia Pazos-Alonso. “Há na sua poesia muitas leituras, de Paul Verlaine a Ruben Darío. Além disso, a questão da saudade nasce do seu conhecimento profundo da poesia portuguesa, e temos ecos de poetas, de Camões e António Nobre a Teixeira de Pascoaes, além dos contemporâneos com quem se correspondia (Raul Proença, Américo Durão, etc.). Não era portanto, em termos literários, nem uma ingénua nem uma autodidacta”, conclui Nuno Júdice. O professor de Literatura conta ainda que a descoberta mais interessante da obra de Florbela foi a de um heterónimo. “Um dos aspectos mais interessantes foi ver como existe a criação de um quase heterónimo: Soror Saudade – de quem ela fala como se fosse outra. Essa Soror Saudade é a forma de ela se distanciar do que nela é a pulsão amorosa, física, que a empurra para um amor que nada tem de ideal. Soror Saudade, pelo contrário, é a monja que dá corpo a um outro tipo de amor, mais espiritual e simbólico.”
Um dos aspectos que assombram sempre a sua poesia é a hipótese de Florbela Espanca ser bipolar. Conclusões para psicólogos, mas Claudia Pazos-Alonso aponta: “Não posso dizer com certeza, mas ela oscila entre os extremos: a exaltação e a depressão. Até dentro dos próprios livros, como Livro de Soror Saudade.”
Infância “Aos oito anos já fazia versos, já tinha insónias e já as coisas da vida me davam vontade de chorar.” Florbela Espanca começou a escrever cedo, como a própria contou em cartas, e a sua primeira obra sai em 1919 – “Livro de Mágoas”, que se esgotou rapidamente. Tragicamente, o livro que os especialistas apontam como obra-prima é “Charneca em Flor”, publicado depois da sua morte, em 1930. É o provável suicídio que tragicamente a torna ainda mais conhecida. Maria Dal Farra defende que a polémica surge quando o seu editor faz crer que o suicídio, dois abortos, dois divórcios, o suicídio do irmão, a perda da mãe, estão nos poemas. Em parte é verdade, mas ela não deixa de ser uma poeta que trabalha a palavra. “Os seus admiradores queriam fazer crer ao leitor de então que sua obra era uma espécie de comentário à sua vida, e que, lendo-a, você estaria apto a compreender as razões da sua morte. O responsável por essa disseminação de marketing foi o Guido Battelli, que queria vender os exemplares do ‘Charneca’”, diz Dal Farra.
Lá fora José Carlos Fernández, autor de uma biografia de Florbela Espanca, editada pela Edições Nova Acrópole, descobriu a escritora quando chegou a Portugal, em 2004, e ficou apaixonado pela sua poesia, que diz semelhante à música de Chopin. “Não há nada de cacofónico, vulgar; as palavras fluem como a água pura de um regato de montanha; outro rasgo da sua poesia é a pureza das suas imagens, em que não há tramas intelectuais, senão uma leitura da sua própria alma, sem artifícios”, explica por email.
É fácil perceber que a dimensão de Florbela não é apenas nacional quando Maria Dal Farra nos conta como foi orientadora de diversas teses sobre ela. “Hoje em dia o meu Grupo do Diretório de Pesquisas conta com nove pesquisadores de diferentes universidades no Brasil, em Portugal e na Alemanha, reunidos em torno dela.” Fabio Mario Silva, brasileiro que estuda a obra da autora, conta por experiência própria que Florbela é mais estudada lá do que cá. “Os autores portugueses muitas vezes são mais reconhecidos fora de Portugal. A obra de Florbela Espanca foi mais bem tratada no Brasil. Há imensas dissertações de mestrado e teses de doutoramento feitas e em curso no Brasil. A maior especialista florbeliana é a professora brasileira Maria Lúcia Dal Farra, que há anos vem apresentando trabalhos na academia, lutando contra essa invisibilidade académica portuguesa. No entanto, o leitor português, esse sim, lê muito Florbela.”
sexta-feira, 9 de março de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
A cidade é um chão de palavras pisadas
-
A cidade é um chão de palavras pisadas
A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há. -
José Carlos Ary dos Santos
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Fiona Apple
Fiona Apple: álbum afinal não chega "nas próximas semanas" mas será "definitivamente este ano"
Responsável da editora diz que não sabe a data certa do lançamento do muito aguardado quarto álbum da artista norte-americana.
O novo álbum de Fiona Apple afinal não chega "nas próximas semanas", contrariamente ao que L.A. Reid, diretor executivo da editora Epic Records, tinha sugerido no início desta semana. No entanto, segundo uma fonte da editora, o sucessor de Extraordinary Machine será editado "definitivamente este ano".
A revista Time entrou em contacto com um porta-voz da Epic, que terá dito que as declarações de Reid foram "um pouco tiradas do contexto" e que a nova música de Apple não chegará em breve: "Será definitivamente este ano, mas não sei exatamente quando".