A cerâmica requintada da americana Laura Zindel parece ser uma curiosa oposição ao terror generalizado de insectos, répteis e rastejantes diversos. O design fica ao cuidado de Laura e de seu marido, Thorsten Zindel Lauterbach, vivendo o casal numa antiquíssima casa de quinta, no estado de Vermont, agora quase transformada num ateliê. Os trabalhos são inspirados na Natureza e nos “Cabinets of Curiosity” vitorianos, marcas da arte de coleccionar todo o tipo de relíquias, da etnografia e arqueologia, passando pela geologia e restante história natural, muitas vezes em dissecações dignas de museu. À primeira vista não seria muito convidativo fazer refeições em pratos onde surgem tarântulas, abelhas, libélulas, cobras, plantas, pássaros e até ovos, mas a simplicidade, a beleza singular e a riqueza de detalhes das ilustrações sobre a porcelana branca é tal que esta ganha vida. Os desenhos a preto e branco são feitos à mão com lápis e impressos na peça em esmalte, a qual é depois cozida para fixar as imagens, numa versão moderna de um processo denominado ‘transferware’, aplicado pela primeira vez no séc. XVIII. O que era antes um processo laborioso e dispendioso, foi facilitado por esta técnica que produz linhas finas similares às gravuras de livros antigos. As peças de Laura, que pedem emprestados designs naturais, formam uma gama de objectos de cozinha, pratos, taças, copos e afins, bem como elementos decorativos, tais como jarras e vasos. Todos os anteriores são feitos com materiais não tóxicos, seguros para os alimentos, e exigem alguns cuidados especiais de utilização e lavagem para uma maior durabilidade. Quanto aos preços, vão de algumas dezenas até várias centenas de dólares, sendo que a peça mais cara ronda os 500USD. O amor da artista pela ilustração e pela Natureza associa-se ao gosto pela simetria, numa complexidade refinada que origina belíssimos padrões ornamentais. O casal Zindel espera que o seu trabalho de precisão científica e imaginário vitoriano provoque um repensar dos materiais e da temática usada, desejando também que as suas peças cativantes passem de geração em geração, tornando-se elementos icónicos no seio familiar.
Nesta valsa da vida desnudo-me para ti Dançando mil valsas ao sabor do mar Quando os teus olhos como luas de vento Partiram em orvalhos de sofrimento Nesta dança a compasso dos ecos do tempo Na suavidade dos tempos na dor sentida Ficarás eternamente nos sons da vida Não olhaste para trás seguiste a dança Perseguindo o sonho ao ritmo da valsa Saberás que nela vivo e te sigo Mesmo que ausente de ti Persigo mil sois em cada flor Em sangue e lágrimas de rima e dor Na suavidade de uma valsa Encontraste-te numa última No meu coração na cadência do sonho Na partida do passado ao encontro da vida (Fátima Santos)
Apesar dos conturbados tempos que vivemos existem ainda pessoas que apostam no pragmatismo e no bom senso como forma de arrostar contra a hipocrisia reinante nos meios Católicos no que respeita ao combate à AIDS. Esse é o caso de Kevin Dowling que após ter sido nomeado Bispo Católico da Diocese de Rustenberg, há 16 anos atrás, visitou os campos de habitação clandestina próximos de Rustenberg que servem de casa a 100.000 pessoas perto da fronteira entre a África do Sul e o Botswana.
Quase exclusivamente composta por homens imigrantes do Lesoto, Zimbabwe, Moçambique e Península do Cabo, esta comunidade mineira, de parquíssimos recursos financeiros, que trabalha nas minas de platina da zona, alberga no seu seio um número muito reduzido de mulheres, a metade das quais VIH-positivas, que se prostitui para conseguir sobreviver.
A extensa rede de relações sobreponíveis nesta comunidade torna-a um campo perfeito para a disseminação do VIH. O Bispo, ciente do facto, e arriscando no mínimo a perda do emprego, já que o Vaticano para além de proibir o uso de camisinha em qualquer circunstância, ainda sustenta alarvemente que a camisinha é permeável ao VIH, decidiu criar em 1996 uma Clínica, que hoje, para além de integrar uma Escola e um Centro de Dia, distribui gratuitamente aos mineiros camisinhas, fármacos para o AIDS e aconselhamento para a prevenção da infecção.
“A abstinência antes do casamento e a fidelidade num casamento são coisas fora da esfera da possibilidade aqui” disse ele. “A questão é proteger a vida. Esse deve ser o nosso principal objectivo”. “Eles têm que usar camisinha, ponto.”, sustenta Kevin Dowling para quem o quer ouvir.
Cuando sientas tristeza Que no puedas calmar Cuando haya un vacio Que no puedas llenar Te abrazaré Te haré olvidar lo que te hizo sufrir No vas a caer Mientras que estés junto a mi
Si siente un frio tu corazón Seré tu abrigo, tu ilusión Hasta ya no respirar Yo te voy a amar
Yo siempre te he amado Y amor, yo estaré Por siempre a tu lado Nunca me alejaré Prometo mi amor Te juro ante dios Nunca te voy a faltar Tu corazón No volverás a llorar
Si siente un frio tu corazón Seré tu abrigo, tu ilusión Hasta ya no respirar Yo te voy a amar
Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?"
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto! -"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
. de momentos inspirados que para outros não passam de momentos bem pensados eu diria bem cunhados... que ninguém percebe momentos com sabor artificial Amor não é só carnal os olhos comem sôfregos insanos...e não procuram a beleza de uma estrela de Platão como ideal Já tudo é banal dos que se tocam sem Amar corpos-cavernas sem ternura não são amor são somatório bestial... retirar dali para colocar ali uns montes...tão ...montes! uma praia... tão praia! uma multidão...tão...sem nada...
Coração precisa de espaço . O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto. Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão e sentamos com ele para brincar. E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. É que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a freqüência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível.
De todas as maneiras que me enfeito Sei que me preferes nua. Sou para ti uma escultura viva Assombrando tuas noites frias. Vou me vestir de sonhos, Entregar-me aos teus delírios Ser tua musa, tua fantasia A mulher que iluminou os teus dias. Sonho de amor, paixão nascida Voragem de desejos penetrando Teus sentidos... Amando-te simplesmente Como bicho e como gente, Com um amor calmo e permanente, Ser tua amiga e tua amante Até em teus braços morrer Na eternidade de um instante.
Com obras nos principais museus de arte contemporânea do mundo, como o Metropolitan, o Whitney, o MoMA, de Nova York e o Reina Sofia, de Madrid, Vik Muniz, artista plástico brasileiro conhecido no mundo inteiro, consegue utilizar a fotografia como meio de representação de um diálogo com a História da Arte, que chega ao entendimento de todos pela simplicidade dos materiais que utiliza, quebrando a idéia de que arte é algo que só quem lida com ela entende. Único filho de pai garçom e mãe telefonista, ainda adolescente mudou-se para os Estados Unidos onde passou cinco anos vivendo de subemprego, muitas vezes dormindo na rua. Trabalhando numa molduraria de Nova Iorque, passou a fazer quadros kitsch e produzir estranhas e incomuns esculturas que lhe abriram as portas do circuito de arte da cidade. Serragem, açúcar, areia, papel de parede, jornais e lixo já foram usados em obras de arte por Picasso e Braque por volta de 1912 em Paris. Acrescentando novos elementos como algodão, chocolate, açúcar, arame, terra, barbante, especiarias, lixo, gel, mel, poeira e muitos outros, Vik Muniz, de uma maneira radicalmente criativa, produz obras que impressionam pela inovação e criatividade. O trabalho mais barato de Vick Muniz custa 5 mil dólares, sendo que um conjunto de 14 painéis de sua autoria foi arrematado num leilão em Paris pela bagatela de 150 mil dólares. Sempre que vende um trabalho onde retrata problemas sociais ele doa parte da renda para instituições de crianças e adolescentes carentes.
- "Os pobres precisam de dinheiro. É preciso ajudá-los diretamente". – diz com a experiência de quem já passou necessidades.
Muniz fez uma exposição individual no University of South Florida Contemporary Art Museum, em Tampa, Flórida, atualmente denominada "Vik Muniz: Reflex". Esta exposição, organizada pelo Museu de Arte de Miami, esteve em exposição no Seattle Art Museum e no PS1 Contemporary Art Museum em Nova Iorque. Até Janeiro de 2008 a exposição esteve em exibição no Musée d'Art Contemporain em Montreal, Quebec (Canadá). Muniz também publicou um livro, "Reflex - A Vik Muniz Primer" (2005: Aperture Foundation, Nova Iorque), que contém uma compilação do seu trabalho e seus comentários sobre ele. Seu trabalho também foi destaque no "The Hours-Visual Art of Contemporary Latin America" (2007), mostra apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Sydney, New South Wales, Austrália. Depois de uma bem-sucedida temporada no MAM-RIO, batendo recorde de público com 48 mil visitas, a mostra "Vik" chega ao MASP, onde permanecerá até o dia 12 de Julho.
A 17 de Agosto último, há exatos 40 anos atrás, o “Woodstock Music & Art Fair”, o festival de música mais emblemático da história, chegava ao fim. A data trouxe dezenas de lançamentos em aúdio e vídeo, matérias especiais em todas as mídias, livros, filmes…o pacote completo. Eis o que aconteceu com os principais nomes que tocaram nesses míticos 3 dias. Quem eram na época e o que aconteceu após o evento.
Richie Havens Chamado às pressas para abrir o festival diante dos atrasos (era a atração disponível com menor número de equipamento, um violão), Havens entrou para cantar 20 minutos e improvisou durante 3 horas. No fim, com “Motherless Child”, a palavra “freedom” foi incorporada no refrão, tornando-se posteriormente o nome da música e uma das marcas do festival.
Após Woodstock, Havens alcançou fama mundial, tendo o pico da carreira na década de 70. Decaiu nos anos 80 e 90, lançando apenas álbuns esporádicos. Seu último disco é “Nobody Left To Crown”, do ano passado.
Album Essencial: Mixed Bag (1967)
Ravi Shankar Mentor de George Harrison, Shankar sempre foi muito mais do que um simples músico. Nascido em 1920, o indiano começou sua carreira nos anos 50 e permece na ativa até hoje. Sua cítara é uma das grandes responsáveis por levar a música indiana ao redor do mundo.
Album :I am Missing You 1968
Arlo Guthrie Filho de Woody Guthrie, um dos nomes mais lendários da história do folk e largamente conhecido por ser uma das maiores influências de Bob Dylan, Arlo teve alguns hits na década de 60, incluindo “Coming Into Los Angeles”. De extensa carreira, foi referência na cena folk. Seu útimo lançamento é o ao vivo “In Times Like These”, de 2007.
Album essencial: Alice’s Restaurant (1967)
Santana Ainda desconhecido na America, Santana teve um grande empurrão com o show incendiário que fez em Woodstock. Um dos pontos altos do festival, a carreira do mexicano firmou-se a partir dali. Com vários clássicos na década de 70, experimentou um longo declínio até explodir novamente no mix de “Supernatural”, de 1999, com vários convidados da música pop e o que levou a um novo público. O álbum vendeu simplesmente mais de 25 milhões de cópias, fazendo de Santana um dos maiores ídolos pop na época.
Album essencial: Abraxas (1970)
Janis Joplin Uma das maiores estrelas do festival, Janis tocou em Woodstock com seu novo grupo na época, Kozmic Blues Band. Morreu um ano depois e tornou-se um dos maiores nomes da história do rock, mesmo com a brevíssima carreira.
Album essencial: Pearl (1971)
The Who Sinônimo de rock, o The Who já era um ícone em Woodstock. Lançando a ópera rock “Tommy”, fizeram um dos melhores shows do festival. Continuam na ativa até hoje e o último álbum inédito é “Endless Wire”, de 2006.
Album essencial: Live At Leeds (1970)
Jefferson Airplane Os primeiros da geração psicodélica de San Francisco a ganhar reconhecimento mundial. Muito dessa fama deve-se ao clássico “White Habbit”. Terminaram em 1973.
Album essencial: Surrealistic Pillow (1967)
Joe Cocker Cocker é um dos que deve sua carreira a Woodstock. Sua versão de “With A Little Help From My Friends”, dos Beatles, foi a grande responsável por isto, sendo inclusive o nome do seu primeiro álbum. O britânico segue lançando discos. O último foi “Hymn For My Soul”, de 2007.
Album essencial: With A Little Help From My Friends (1969)
Jimi Hendrix Hendrix era um dos maiores nomes do festival. Foi o responsável por encerrar Woodstock, na manhã de segunda feira, já com um público bem reduzido em comparação à média dos dois dias anteriores. Sua versão do hino dos EUA, “Star Splanged Banner”, foi o momento mais marcante. É uma lenda da guitarra, principalmente pelo modo peculiar como tocava sua Fender, o desenvolvimento do uso da alavanca e do wha-wha, os solos e riffs clássicos e por colocar os guitarristas no centro das bandas de rock. Morreu um ano depois, em Londres, sufocado pelo próprio vômito, provavelmente vítima de uma overdose de pílulas tranquilizantes.
Álbum essencial: Are You Experienced? (1967)
Fire - Jimi Hendrix and the Gypsy Sun and Rainbows
As portas abriram pouco depois das 16 horas e a receber os muitos espectadores estava a equipa do Rock in Rio. Mas o que fez correr esta multidão, que foi crescendo ao longo da tarde, foram as duas mulheres do dia: Shakira e Ivete Sangalo.
As bandeiras do Brasil e as faixas de apoio à Shakira não enganavam quem quisesse adivinhar as duas actuações mais esperadas da noite. Mas antes de os primeiros acordes se ouvirem no Palco Mundo, a animação começou no Palco Sunset com a actuação d’Os Azeitonas com António Zambujo.
Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, arrogante e autoconfiante, é preciso dizer. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente o meio artístico da época. E não só! A tela tem um percurso atribulado. Reza a História que um diplomata turco, de nome Khalil-Bey, de passagem por Paris encomendou a Courbet para a sua colecção um quadro, que viria a ser este. Khalil-Bey era um coleccionador de arte erótica e tinha já adquirido ao artista uma pintura denominada O Sono ou Adormecidas, representando duas mulheres nuas deitadas sobre a cama em poses sensuais. Possuía também o famoso O Banho Turco, de Ingres, entre outras obras. Pouco tempo depois Khalil-Bey viu-se obrigado a vender diversas peças da sua colecção para pagar dívidas de jogo. Escondida debaixo de uma outra tela de aspecto mais pacífico, A Origem do Mundo foi então comprada por um antiquário, passando de mão em mão até ao seu último dono, o célebre psicanalista francês Jacques Lacan. Após a sua morte, a família doou-o ao Museu d'Orsay, onde se encontra presentemente.
O quadro é profundamente perturbador ou mesmo chocante. O incómodo sentido pelo observador ao olhar de modo tão directo para o sexo que ali se exibe ostensivamente é enorme. Há uma espécie de pudor, de vergonha quase instintiva que se revela em nós ao observá-lo. Mais do que violentar a intimidade do objecto retratado, o artista violenta o público. De resto, Courbet adorava fazê-lo embora nunca tivesse ousado ir tão longe. Porque se atreveu desta vez? À época, na Academia, os estudantes exercitavam-se desenhando as estátuas clássicas de corpo idealizado. Essas estátuas, Apolos e Afrodites, não eram de modo algum assexuadas mas a R epresentação do sexo era estereotipada, camuflada ou deturpada. Os homens frequentemente tinham uma parra a tapar os órgãos genitais enquanto que nas mulheres nada se via para além da continuidade da pele lisa da barriga. Courbet detestava os académicos e as suas fórmulas - ele que dizia que só podia pintar aquilo que via. Esta tela surge assim como um manifesto contra o academismo mas também contra a falsidade vigente na Arte e na Sociedade oitocentista. Representa a libertação definitiva do artista de todos os estereótipos! Significativo é o facto da polémica se ficar a dever ao tema e à forma como foi abordado e não às qualidades pictóricas do quadro - se estava bem pintado ou não. A Origem do Mundo foi uma obra inspirada, visionária talvez, um acto estético da maior importância e uma obra de arte de primeira grandeza. A Pintura Moderna talvez tenha começado aqui, com origem no sexo de uma mulher.
Enquanto quase todos os desenhadores e caricaturistas usavam a cor para tornar os seus trabalhos mais apelativos ou o sombreado para lhes dar profundidade, Al Hirschfeld apenas se servia na maior parte das vezes de uma simples linha preta, traçada a lápis ou à pena. E bastava - estava lá tudo. Não deixa, porém, de ser interessante esta predilecção pela linha pura da parte de quem queria ser pintor ou escultor... Perguntaram-lhe uma vez se o fazia por mera falta de tempo. Respondeu: Quando estou com pressa faço um desenho complexo; só quando tenho tempo é que faço um simples.
Esta convicção na importância da simplicidade escondida por detrás de muito trabalho e exigência, reveladora de um sentido estético muito apurado, valeram-lhe uma enorme admiração e projeccção. Os seus trabalhos foram publicados em dezenas de jornais, revistas e outros periódicos de renome - The New York Times, The New Yorker, Playbill, Collier's, Life, Time, Look, Business Week, Rolling Stone, Reader's Digest, Print, See, Talk, etc. - e expostos em museus e galerias de arte. Al Hirschfeld desenhou sem parar até 2003, data em que faleceu com 99 anos.
As personagens da série televisiva Seinfeld
Bogart e Bergman, aliás, Rick e Ilsa em Casablanca
Fred Astaire e Ginger Rogers
Os irmãos Marx - Harpo, Groucho e Chico
O elenco de West Side Story
Jazz - Benny Goodman, Gene Krupa, Teddy Wilson, Lionel Hampton e Duke Ellington
The Beatles, atravessando a passadeira de Abbey Road
Aqui há uns bons anos atrás saíram em Portugal dois álbuns de banda desenhada que passaram relativamente despercebidos. Intitulavam-se Morbus Gravis e relatavam as aventuras fantásticas de uma mulher num mundo horrendo de violência e erotismo desenhado com grande realismo. A heroína chamava-se Druuna e viria a tornar-se rapidamente famosa em todo o mundo assim como o seu criador: Paolo Serpieri.
Seria normal esperar que qualquer publicação na área do erotismo ou a roçar a pornografia, como esta é, obtivesse um certo sucesso comercial. Não faltam exemplos disso desde os comics de qualidade rasca e assumidamente porno até aos pretensamente eruditos e sofisticados, como é o caso de Milo Manara mas isso não chega para explicar a imensa popularidade de Serpieri. A sua banda desenhada possui efectivamente qualidade, a meu ver.
Serpieri é um mestre do desenho facto a que não é alheia a sua formação artística nomeadamente na área da pintura. Porém, só relativamente tarde é que descobriu e explorou as potencialidades da 9ª arte, a banda desenhada. Foi muito influenciado pelas histórias fantásticas publicadas na revista "Métal Hurlant" e pelo cinema - ele próprio cita Alien e Blade Runner como duas das suas referências fundamentais.
O seu desenho é particularmente cuidado nas figuras femininas, plásticas e volumosas, quase palpáveis. As mulheres são anatomicamente perfeitas, belas e sensuais em contraste com tudo o resto que é feio, mórbido e sombrio. Este mundo de ficção científica fantástica transmite uma imagem de pessimismo e de dor a que Druuna escapa através do prazer. Na beleza e no prazer Serpieri tenta ver o caminho da fuga ao caos e à morte...
Tenho uma memória bastante clara das aulas de Literatura que fiz ao longo da minha vida escolar, nelas, o poeta Olavo Bilac sempre foi fixado na minha imaginação como sendo aquele senhor polido, patriota, enfadonho e reaccionário. Daí o supreendente que foi, ao me inscrever e frequentar recentemente um curso universitário de Literatura Brasileira, descobrir que o tão proclamadamente apático poeta parnasiano, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, autor do Hino à Bandeira Nacional, adorador de formas marmóreas e da sobriedade era, na verdade, um devasso.
O poeta tem peças dum erotismo tanto perverso, delirante, pornográfico, que certamente corava as professoras tão sóbrias que tive . Fiquei depois descobrindo que ficou famoso o papelucho deixado por Emílio de Menezes para epitáfio do amigo: "Bilac esta cova encerra. Choram sacros e profanos... Muitos anos coma a terra, a quem comeu tantos ânus!". Se eu houvesse sabido dessas façanhas antes... teria sido uma aluna mais diligente. "Delírio" ganhou para sempre o meu favoritismo.
Satânia (...)
Sobe... cinge-lhe a perna longamente; Sobe...- e que volta sensual descreve Para abranger todo o quadril!- prossegue, Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura, Morde-lhe os bicos túmidos dos seios, Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo Da axila, acende-lhe o coral da boca, E antes de se ir perder na escura noite, Na densa noite dos cabelos negros, Pára confusa, a palpitar, diante Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
E aos mornos beijos, às carícias ternas, Da luz, cerrando levemente os cílios, Satânia os lábios úmidos encurva, E da boca na púrpura sangrenta Abre um curto sorriso de volúpia...
Beijo Eterno Diz tua boca: "Vem!" "Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama Todo o meu corpo que o teu corpo chama: "Morde também!" Ai! morde! que doce é a dor Que me entra as carnes, e as tortura! Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura, Morro por teu amor!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo! Beija-me assim!< O ouvido fecha ao rumor Do mundo, e beija-me, querida! Vive só para mim, só para a minha vida, Só para o meu amor!
Delírio Nua, mas para o amor não cabe o pejo Na minha a sua boca eu comprimia. E, em frêmitos carnais, ela dizia: Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo! Na inconsciência bruta do meu desejo Fremente, a minha boca obedecia, E os seus seios, tão rígidos mordia, Fazendo-a arrepiar em doce arpejo. Em suspiros de gozos infinitos Disse-me ela, ainda quase em grito: Mais abaixo, meu bem! ? num frenesi. No seu ventre pousei a minha boca, Mais abaixo, meu bem! ? disse ela, louca, Moralistas, perdoai! Obedeci…
Última Página Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos Numa palpitação de flores e de ninhos. Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos (Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.
Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos, Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos; E o outono desfolhava os roseirais vizinhos, Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...
Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos, Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos, (Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...
Redes sociais enviam informações pessoais para anunciantes Notícia é avançada pelo "The Wall Street Journal" e implica Google, Yahoo, Facebook e MySpace, entre outros. Partilhe Só o Facebook tem mais de 400 milhões de utilizadores O MySpace, o Facebook e outras redes sociais têm enviado informação pessoal dos seus utilizadores que permitem determinar o nome e outros detalhes pessoais, apesar de prometerem não fazê-lo nas suas politicas de privacidade, avança o "The Wall Street Journal ". Algumas grandes companhias publicitárias, como a DoubleClick, da Google, e Right Media, da Yahoo, receberam esta informação, que incluía nomes de utilizador e números de identificação que, ao clicar em anúncios online, podem direccionar para os perfis dos utilizadores. Esta informação pode ser utilizada para encontrar detalhes pessoais sobre o utilizador, como nome, idade, profissão, localidade e tudo o mais que seja público no perfil. Responsáveis negam conhecimento O "The Wall Street Journal" avança também que já interpelou os responsáveis das redes sociais em causa. Na sequência do contacto do jornal, o Facebook e o MySpace já reescreveram o código que permitia a transmissão da informação em causa. Para além do Facebook e do MySpace, também o LiveJournal, hi5, Xanga e Digg foram identificados nesta lista de infractores. O "The Wall Street Journal" noticia ainda que o Facebook fez mais do que as outras redes sociais, enviando o nome do utilizador que clicou no anúncio, bem como do perfil onde estava o anúncio. Esta notícia aparece numa altura má para o Facebook, que se vê a braços com uma polémica sobre a sua política de privacidade de tal dimensão que já chegou à capa da "Time Magazine" . À excepção do Facebook, as redes sociais defenderam que a informação que enviam para os anunciantes incluem o número de identificação do utilizador onde se encontra o anúncio e não do visitante. Anunciantes não estão interessados em informação pessoal Tanto a Google como a Yahoo negaram ter-se apercebido de que recebiam a informação adicional e afirmam não ter feito uso de tal informação. "Nós proibimos os nossos utilizadores de enviar informação pessoal. Nós dizemos-lhes: 'Não queremos. Não deviam enviar-nos isso. Se a informação chegar, nós não vamos lá ver'", declarou a vice-presidente da Yahoo, Anne Toth.
Você, passa por mim apressada Depois de encantos que você dificilmente atingirá Se você soubesse o fogo que é desperdiçado, Como a vida é desperdiçada em vão! E o fogo, tão heroicamente como erupção cutânea, Umas sombras ocasionais podem evocar E como meu coração foi queimado em cinzas Por essa fumaça de pólvora inútil. O, os trens que saem de terminais noturnos, Transporte é onde dormirei para onde quer que vá ... Então, novamente, é pouco provável Que você conheça mesmo e que você saiba - Por que meus discursos são afiados e breve, Na fumaça do meu cigarro, - Como nesta escuridao e ameaçadora tristeza Na minha cabeça de cabelos dourados desalinhados...