sábado, 29 de maio de 2010

Laura Zindele os insectos na ceramica.

A cerâmica requintada da americana Laura Zindel parece ser uma curiosa oposição ao terror generalizado de insectos, répteis e rastejantes diversos. O design fica ao cuidado de Laura e de seu marido, Thorsten Zindel Lauterbach, vivendo o casal numa antiquíssima casa de quinta, no estado de Vermont, agora quase transformada num ateliê.
Os trabalhos são inspirados na Natureza e nos “Cabinets of Curiosity” vitorianos, marcas da arte de coleccionar todo o tipo de relíquias, da etnografia e arqueologia, passando pela geologia e restante história natural, muitas vezes em dissecações dignas de museu.
À primeira vista não seria muito convidativo fazer refeições em pratos onde surgem tarântulas, abelhas, libélulas, cobras, plantas, pássaros e até ovos, mas a simplicidade, a beleza singular e a riqueza de detalhes das ilustrações sobre a porcelana branca é tal que esta ganha vida.
Os desenhos a preto e branco são feitos à mão com lápis e impressos na peça em esmalte, a qual é depois cozida para fixar as imagens, numa versão moderna de um processo denominado ‘transferware’, aplicado pela primeira vez no séc. XVIII. O que era antes um processo laborioso e dispendioso, foi facilitado por esta técnica que
produz linhas finas similares às gravuras de livros antigos.
As peças de Laura, que pedem emprestados designs naturais, formam uma gama de objectos de cozinha, pratos, taças, copos e afins, bem como elementos decorativos, tais como jarras e vasos. Todos os anteriores são feitos com materiais não tóxicos, seguros para os alimentos, e exigem alguns cuidados especiais de utilização e lavagem para uma maior durabilidade. Quanto aos preços, vão de algumas dezenas até várias centenas de dólares, sendo que a peça mais cara ronda os 500USD.
O amor da artista pela ilustração e pela Natureza associa-se ao gosto pela simetria, numa complexidade refinada que origina belíssimos padrões ornamentais.
O casal Zindel espera que o seu trabalho de precisão científica e imaginário vitoriano provoque um repensar dos materiais e da temática usada, desejando também que as suas peças cativantes passem de geração em geração, tornando-se elementos icónicos no seio familiar.







Chris de Burgh



quinta-feira, 27 de maio de 2010

A ÚLTIMA VALSA


Nesta valsa da vida desnudo-me para ti
Dançando mil valsas ao sabor do mar
Quando os teus olhos como luas de vento
Partiram em orvalhos de sofrimento
Nesta dança a compasso dos ecos do tempo
Na suavidade dos tempos na dor sentida
Ficarás eternamente nos sons da vida
Não olhaste para trás seguiste a dança
Perseguindo o sonho ao ritmo da valsa
Saberás que nela vivo e te sigo
Mesmo que ausente de ti
Persigo mil sois em cada flor
Em sangue e lágrimas de rima e dor
Na suavidade de uma valsa
Encontraste-te numa última
No meu coração na cadência do sonho
Na partida do passado ao encontro da vida
(Fátima Santos)

MENINA PRODIGIO

 

BAIXO

Sida-Aids

 

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Apesar dos conturbados tempos que vivemos existem ainda pessoas que apostam no pragmatismo e no bom senso como forma de arrostar contra a hipocrisia reinante nos meios Católicos no que respeita ao combate à AIDS. Esse é o caso de Kevin Dowling que após ter sido nomeado Bispo Católico da Diocese de Rustenberg, há 16 anos atrás, visitou os campos de habitação clandestina próximos de Rustenberg que servem de casa a 100.000 pessoas perto da fronteira entre a África do Sul e o Botswana.

Quase exclusivamente composta por homens imigrantes do Lesoto, Zimbabwe, Moçambique e Península do Cabo, esta comunidade mineira, de parquíssimos recursos financeiros, que trabalha nas minas de platina da zona, alberga no seu seio um número muito reduzido de mulheres, a metade das quais VIH-positivas, que se prostitui para conseguir sobreviver.

A extensa rede de relações sobreponíveis nesta comunidade torna-a um campo perfeito para a disseminação do VIH. O Bispo, ciente do facto, e arriscando no mínimo a perda do emprego, já que o Vaticano para além de proibir o uso de camisinha em qualquer circunstância, ainda sustenta alarvemente que a camisinha é permeável ao VIH, decidiu criar em 1996 uma Clínica, que hoje, para além de integrar uma Escola e um Centro de Dia, distribui gratuitamente aos mineiros camisinhas, fármacos para o AIDS e aconselhamento para a prevenção da infecção.

“A abstinência antes do casamento e a fidelidade num casamento são coisas fora da esfera da possibilidade aqui” disse ele. “A questão é proteger a vida. Esse deve ser o nosso principal objectivo”. “Eles têm que usar camisinha, ponto.”, sustenta Kevin Dowling para quem o quer ouvir.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

STEFAN ZWEIG

Yo te voy a amar

 

Yo Te Voy A Amar

Cuando sientas tristeza
Que no puedas calmar
Cuando haya un vacio
Que no puedas llenar
Te abrazaré
Te haré olvidar lo que te hizo sufrir
No vas a caer
Mientras que estés junto a mi

Si siente un frio tu corazón
Seré tu abrigo, tu ilusión
Hasta ya no respirar
Yo te voy a amar

Yo siempre te he amado
Y amor, yo estaré
Por siempre a tu lado
Nunca me alejaré
Prometo mi amor
Te juro ante dios
Nunca te voy a faltar
Tu corazón
No volverás a llorar

Si siente un frio tu corazón
Seré tu abrigo, tu ilusión
Hasta ya no respirar
Yo te voy a amar

Ravi Shankar

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Rui Reininho-GNR

Como dizia o poeta

Portugal turismo

UM DIA...

UM DIA...

( Fernando Pessoa )

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"

Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.

E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"

terça-feira, 25 de maio de 2010

Momentos


.
de momentos inspirados
que para outros não passam
de momentos bem pensados
eu diria bem cunhados...
que ninguém percebe
momentos
com sabor artificial
Amor não é só  carnal
os olhos comem sôfregos
insanos...e não procuram
a beleza de uma estrela
de Platão como ideal
Já tudo é  banal
dos que se tocam sem Amar
corpos-cavernas sem ternura
não são amor
são somatório bestial...
retirar dali para colocar ali
uns montes...tão ...montes!
uma praia... tão praia!
uma multidão...tão...sem nada...

By Jorge Pereira

Power of Love

Coração precisa de espaço

Coração precisa de espaço
.
O coração da gente gosta de atenção.
De cuidados cotidianos.
De mimos repentinos.
De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza,
o riso, o afeto.
Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão
e sentamos com ele para brincar.
E há momentos em que tudo o que ele precisa
é que preparemos banhos de imersão na quietude para
lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem.
É que o levemos para revisitar, na memória,
instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo
a mudar a freqüência do sentimento.
Há momentos em que tudo o que precisa
é que reservemos algum tempo a sós com ele
para desapertá-lo com toda delicadeza possível.

Teka

Meu Amor

Meu Amor

De todas as maneiras que me enfeito
Sei que me preferes nua.
Sou para ti uma escultura viva
Assombrando tuas noites frias.
Vou me vestir de sonhos,
Entregar-me aos teus delírios
Ser tua musa, tua fantasia
A mulher que iluminou os teus dias.
Sonho de amor, paixão nascida
Voragem de desejos penetrando
Teus sentidos...
Amando-te simplesmente
Como bicho e como gente,
Com um amor calmo e permanente,
Ser tua amiga e tua amante
Até em teus braços morrer
Na eternidade de um instante.

Márcia Rocha

domingo, 23 de maio de 2010

Muniz


Com obras nos principais museus de arte contemporânea do mundo, como o Metropolitan, o Whitney, o MoMA, de Nova York e o Reina Sofia, de Madrid, Vik Muniz, artista plástico brasileiro conhecido no mundo inteiro, consegue utilizar a fotografia como meio de representação de um diálogo com a História da Arte, que chega ao entendimento de todos pela simplicidade dos materiais que utiliza, quebrando a idéia de que arte é algo que só quem lida com ela entende.
Único filho de pai garçom e mãe telefonista, ainda adolescente mudou-se para os Estados Unidos onde passou cinco anos vivendo de subemprego, muitas vezes dormindo na rua. Trabalhando numa molduraria de Nova Iorque, passou a fazer quadros kitsch e produzir estranhas e incomuns esculturas que lhe abriram as portas do circuito de arte da cidade.
Serragem, açúcar, areia, papel de parede, jornais e lixo já foram usados em obras de arte por Picasso e Braque por volta de 1912 em Paris. Acrescentando novos elementos como algodão, chocolate, açúcar, arame, terra, barbante, especiarias, lixo, gel, mel, poeira e muitos outros, Vik Muniz, de uma maneira radicalmente criativa, produz obras que impressionam pela inovação e criatividade.

O trabalho mais barato de Vick Muniz custa 5 mil dólares, sendo que um conjunto de 14 painéis de sua autoria foi arrematado num leilão em Paris pela bagatela de 150 mil dólares. Sempre que vende um trabalho onde retrata problemas sociais ele doa parte da renda para instituições de crianças e adolescentes carentes.

- "Os pobres precisam de dinheiro. É preciso ajudá-los diretamente". – diz com a experiência de quem já passou necessidades.

Muniz fez uma exposição individual no University of South Florida Contemporary Art Museum, em Tampa, Flórida, atualmente denominada "Vik Muniz: Reflex". Esta exposição, organizada pelo Museu de Arte de Miami, esteve em exposição no Seattle Art Museum e no PS1 Contemporary Art Museum em Nova Iorque. Até Janeiro de 2008 a exposição esteve em exibição no Musée d'Art Contemporain em Montreal, Quebec (Canadá). Muniz também publicou um livro, "Reflex - A Vik Muniz Primer" (2005: Aperture Foundation, Nova Iorque), que contém uma compilação do seu trabalho e seus comentários sobre ele.

Seu trabalho também foi destaque no "The Hours-Visual Art of Contemporary Latin America" (2007), mostra apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Sydney, New South Wales, Austrália. Depois de uma bem-sucedida temporada no MAM-RIO, batendo recorde de público com 48 mil visitas, a mostra "Vik" chega ao MASP, onde permanecerá até o dia 12 de Julho.

sábado, 22 de maio de 2010

Woodstock



A 17 de Agosto último, há exatos 40 anos atrás, o “Woodstock Music & Art Fair”, o festival de música mais emblemático da história, chegava ao fim. A data trouxe dezenas de lançamentos em aúdio e vídeo, matérias especiais em todas as mídias, livros, filmes…o pacote completo. Eis o que aconteceu com os principais nomes que tocaram nesses míticos 3 dias. Quem eram na época e o que aconteceu após o evento.

Richie Havens
Chamado às pressas para abrir o festival diante dos atrasos (era a atração disponível com menor número de equipamento, um violão), Havens entrou para cantar 20 minutos e improvisou durante 3 horas. No fim, com “Motherless Child”, a palavra “freedom” foi incorporada no refrão, tornando-se posteriormente o nome da música e uma das marcas do festival.

Após Woodstock, Havens alcançou fama mundial, tendo o pico da carreira na década de 70. Decaiu nos anos 80 e 90, lançando apenas álbuns esporádicos. Seu último disco é “Nobody Left To Crown”, do ano passado.

Album Essencial: Mixed Bag (1967)



Ravi Shankar
Mentor de George Harrison, Shankar sempre foi muito mais do que um simples músico. Nascido em 1920, o indiano começou sua carreira nos anos 50 e permece na ativa até hoje. Sua cítara é uma das grandes responsáveis por levar a música indiana ao redor do mundo.

Album :I am Missing You 1968


Arlo Guthrie
Filho de Woody Guthrie, um dos nomes mais lendários da história do folk e largamente conhecido por ser uma das maiores influências de Bob Dylan, Arlo teve alguns hits na década de 60, incluindo “Coming Into Los Angeles”. De extensa carreira, foi referência na cena folk. Seu útimo lançamento é o ao vivo “In Times Like These”, de 2007.

Album essencial: Alice’s Restaurant (1967)



Santana
Ainda desconhecido na America, Santana teve um grande empurrão com o show incendiário que fez em Woodstock. Um dos pontos altos do festival, a carreira do mexicano firmou-se a partir dali. Com vários clássicos na década de 70, experimentou um longo declínio até explodir novamente no mix de “Supernatural”, de 1999, com vários convidados da música pop e o que levou a um novo público. O álbum vendeu simplesmente mais de 25 milhões de cópias, fazendo de Santana um dos maiores ídolos pop na época.

Album essencial: Abraxas (1970)


Janis Joplin
Uma das maiores estrelas do festival, Janis tocou em Woodstock com seu novo grupo na época, Kozmic Blues Band. Morreu um ano depois e tornou-se um dos maiores nomes da história do rock, mesmo com a brevíssima carreira.

Album essencial: Pearl (1971)


The Who
Sinônimo de rock, o The Who já era um ícone em Woodstock. Lançando a ópera rock “Tommy”, fizeram um dos melhores shows do festival. Continuam na ativa até hoje e o último álbum inédito é “Endless Wire”, de 2006.

Album essencial: Live At Leeds (1970)


Jefferson Airplane
Os primeiros da geração psicodélica de San Francisco a ganhar reconhecimento mundial. Muito dessa fama deve-se ao clássico “White Habbit”. Terminaram em 1973.

Album essencial: Surrealistic Pillow (1967)


Joe Cocker
Cocker é um dos que deve sua carreira a Woodstock. Sua versão de “With A Little Help From My Friends”, dos Beatles, foi a grande responsável por isto, sendo inclusive o nome do seu primeiro álbum. O britânico segue lançando discos. O último foi “Hymn For My Soul”, de 2007.

Album essencial: With A Little Help From My Friends (1969)


Jimi Hendrix
Hendrix era um dos maiores nomes do festival. Foi o responsável por encerrar Woodstock, na manhã de segunda feira, já com um público bem reduzido em comparação à média dos dois dias anteriores. Sua versão do hino dos EUA, “Star Splanged Banner”, foi o momento mais marcante. É uma lenda da guitarra, principalmente pelo modo peculiar como tocava sua Fender, o desenvolvimento do uso da alavanca e do wha-wha, os solos e riffs clássicos e por colocar os guitarristas no centro das bandas de rock. Morreu um ano depois, em Londres, sufocado pelo próprio vômito, provavelmente vítima de uma overdose de pílulas tranquilizantes.

Álbum essencial: Are You Experienced? (1967)


Fire - Jimi Hendrix and the Gypsy Sun and Rainbows

Rock in Rio

81 mil pessoas na Cidade do Rock, no dia 21.

As portas abriram pouco depois das 16 horas e a receber os muitos espectadores estava a equipa do Rock in Rio. Mas o que fez correr esta multidão, que foi crescendo ao longo da tarde, foram as duas mulheres do dia: Shakira e Ivete Sangalo. !cid_af3e83708ebb2fcf3247ca28d7e3c5e0

As bandeiras do Brasil e as faixas de apoio à Shakira não enganavam quem quisesse adivinhar as duas actuações mais esperadas da noite. Mas antes de os primeiros acordes se ouvirem no Palco Mundo, a animação começou no Palco Sunset com a actuação d’Os Azeitonas com António Zambujo.

COUBET

COURBET Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, arrogante e autoconfiante, é preciso dizer. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente o meio artístico da época. E não só!
A tela tem um percurso atribulado. Reza a História que um diplomata turco, de nome Khalil-Bey, de passagem por Paris encomendou a Courbet para a sua colecção um quadro, que viria a ser este. Khalil-Bey era um coleccionador de arte erótica e tinha já adquirido ao artista uma pintura denominada O Sono ou Adormecidas, representando duas mulheres nuas deitadas sobre a cama em poses sensuais. Possuía também o famoso O Banho Turco, de Ingres, entre outras obras.
Pouco tempo depois Khalil-Bey viu-se obrigado a vender diversas peças da sua colecção para pagar dívidas de jogo. Escondida debaixo de uma outra tela de aspecto mais pacífico, A Origem do Mundo foi então comprada por um antiquário, passando de mão em mão até ao seu último dono, o célebre psicanalista francês Jacques Lacan. Após a sua morte, a família doou-o ao Museu d'Orsay, onde se encontra presentemente.

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O quadro é profundamente perturbador ou mesmo chocante. O incómodo sentido pelo observador ao olhar de modo tão directo para o sexo que ali se exibe ostensivamente é enorme. Há uma espécie de pudor, de vergonha quase instintiva que se revela em nós ao observá-lo. Mais do que violentar a intimidade do objecto retratado, o artista violenta o público. De resto, Courbet adorava fazê-lo embora nunca tivesse ousado ir tão longe. Porque se atreveu desta vez?
À época, na Academia, os estudantes exercitavam-se desenhando as estátuas clássicas de corpo idealizado. Essas estátuas, Apolos e Afrodites, não eram de modo algum assexuadas mas a R epresentação do sexo era 08011002_blog_uncovering_org_courbetestereotipada, camuflada ou deturpada. Os homens frequentemente tinham uma parra a tapar os órgãos genitais enquanto que nas mulheres nada se via para além da continuidade da pele lisa da barriga. Courbet detestava os académicos e as suas fórmulas - ele que dizia que só podia pintar aquilo que via.
Esta tela surge assim como um manifesto contra o academismo mas também contra a falsidade vigente na Arte e na Sociedade oitocentista. Representa a libertação definitiva do artista de todos os estereótipos! Significativo é o facto da polémica se ficar a dever ao tema e à forma como foi abordado e não às qualidades pictóricas do quadro - se estava bem pintado ou não. A Origem do Mundo foi uma obra inspirada, visionária talvez, um acto estético da maior importância e uma obra de arte de primeira grandeza. A Pintura Moderna talvez tenha começado aqui, com origem no sexo de uma mulher.

Al Hirschfeld - caricaturas

070817_blog_uncovering_org_al-hirschfeld_1 Enquanto quase todos os desenhadores e caricaturistas usavam a cor para tornar os seus trabalhos mais apelativos ou o sombreado para lhes dar profundidade, Al Hirschfeld apenas se servia na maior parte das vezes de uma simples linha preta, traçada a lápis ou à pena. E bastava - estava lá tudo. Não deixa, porém, de ser interessante esta predilecção pela linha pura da parte de quem queria ser pintor ou escultor... Perguntaram-lhe uma vez se o fazia por mera falta de tempo. Respondeu: Quando estou com pressa faço um desenho complexo; só quando tenho tempo é que faço um simples.

Esta convicção na importância da simplicidade escondida por detrás de muito trabalho e exigência, reveladora de um sentido estético muito apurado, valeram-lhe uma enorme admiração e projeccção. Os seus trabalhos foram publicados em dezenas de jornais, revistas e outros periódicos de renome - The New York Times, The New Yorker, Playbill, Collier's, Life, Time, Look, Business Week, Rolling Stone, Reader's Digest, Print, See, Talk, etc. - e expostos em museus e galerias de arte. Al Hirschfeld desenhou sem parar até 2003, data em que faleceu com 99 anos.

As personagens da série televisiva Seinfeld

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Bogart e Bergman, aliás, Rick e Ilsa em Casablanca

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Fred Astaire e Ginger Rogers

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Os irmãos Marx - Harpo, Groucho e Chico

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O elenco de West Side Story

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Jazz - Benny Goodman, Gene Krupa, Teddy Wilson, Lionel Hampton e Duke Ellington

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The Beatles, atravessando a passadeira de Abbey Road

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Os três tenores: Carreras, Domingo e Pavarotti

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The Secret

Paolo Serpieri.

Aqui há uns bon070214_druuna3s anos atrás saíram em Portugal dois álbuns de banda desenhada que passaram relativamente despercebidos. Intitulavam-se Morbus Gravis e relatavam as aventuras fantásticas de uma mulher num mundo horrendo de violência e erotismo desenhado com grande realismo. A heroína chamava-se Druuna e viria a tornar-se rapidamente famosa em todo o mundo assim como o seu criador: Paolo Serpieri.

Seria normal esperar que qualquer publicação na área do erotismo ou a roçar a pornografia, como esta é, obtivesse um certo sucesso comercial. Não faltam exemplos disso desde os comics de qualidade rasca e assumidamente porno até aos pretensamente eruditos e sofisticados, como é o caso de Milo Manara mas isso não chega para explicar a imensa popularidade de Serpieri. A sua banda desenhada possui efectivamente qualidade, a meu ver.

Serpieri é um mestre do desenho facto a que não é alheia a sua formação artística nomeadamente na área da pintura. Porém, só relativamente tarde é que descobriu e explorou as potencialidades da 9ª arte, a banda desenhada. Foi muito influenciado pelas histórias fantásticas publicadas na revista "Métal Hurlant" e pelo cinema - ele próprio cita Alien e Blade Runner como duas das suas referências fundamentais.

O seu desenho é particularmente cuidado nas figuras femininas, plásticas e volumosas, quase palpáveis. As mulheres são anatomicamente perfeitas, belas e sensuais em contraste com tudo o resto que é feio, mórbido e sombrio. Este mundo de ficção científica fantástica transmite uma imagem de pessimismo e de dor a que Druuna escapa através do prazer. Na beleza e no prazer Serpieri tenta ver o caminho da fuga ao caos e à morte...

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OLAVO Brás Martins dos Guimarães BILAC

Gustav Klimt - Love 2007081600_blog_uncovering_org_klimt_love-tm

Tenho uma memória bastante clara das aulas de Literatura que fiz ao longo da minha vida escolar, nelas, o poeta Olavo Bilac sempre foi fixado na minha imaginação como sendo aquele senhor polido, patriota, enfadonho e reaccionário. Daí o supreendente que foi, ao me inscrever e frequentar recentemente um curso universitário de Literatura Brasileira, descobrir que o tão proclamadamente apático poeta parnasiano, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, autor do Hino à Bandeira Nacional, adorador de formas marmóreas e da sobriedade era, na verdade, um devasso.

O poeta tem peças dum erotismo tanto perverso, delirante, pornográfico, que certamente corava as professoras tão sóbrias que tive . Fiquei depois descobrindo que ficou famoso o papelucho deixado por Emílio de Menezes para epitáfio do amigo: "Bilac esta cova encerra. Choram sacros e profanos... Muitos anos coma a terra, a quem comeu tantos ânus!". Se eu houvesse sabido dessas façanhas antes... teria sido uma aluna mais diligente.
"Delírio" ganhou para sempre o meu favoritismo.

Satânia
(...)

Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...

Beijo Eterno
Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!<
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem! ? num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
Mais abaixo, meu bem! ? disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…

Última Página
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

(...)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Tecnologia e Ciência Redes sociais enviam informações pessoais ...

facebook

Redes sociais enviam informações pessoais para anunciantes
Notícia é avançada pelo "The Wall Street Journal" e implica Google, Yahoo, Facebook e MySpace, entre outros.
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Só o Facebook tem mais de 400 milhões de utilizadores
O MySpace, o Facebook e outras redes sociais têm enviado informação pessoal dos seus utilizadores que permitem determinar o nome e outros detalhes pessoais, apesar de prometerem não fazê-lo nas suas politicas de privacidade, avança o "The Wall Street Journal ".
Algumas grandes companhias publicitárias, como a DoubleClick, da Google, e Right Media, da Yahoo, receberam esta informação, que incluía nomes de utilizador e números de identificação que, ao clicar em anúncios online, podem direccionar para os perfis dos utilizadores.
Esta informação pode ser utilizada para encontrar detalhes pessoais sobre o utilizador, como nome, idade, profissão, localidade e tudo o mais que seja público no perfil.
Responsáveis negam conhecimento
O "The Wall Street Journal" avança também que já interpelou os responsáveis das redes sociais em causa. Na sequência do contacto do jornal, o Facebook e o MySpace já reescreveram o código que permitia a transmissão da informação em causa. Para além do Facebook e do MySpace, também o LiveJournal, hi5, Xanga e Digg foram identificados nesta lista de infractores.
O "The Wall Street Journal" noticia ainda que o Facebook fez mais do que as outras redes sociais, enviando o nome do utilizador que clicou no anúncio, bem como do perfil onde estava o anúncio.
Esta notícia aparece numa altura má para o Facebook, que se vê a braços com uma polémica sobre a sua política de privacidade de tal dimensão que já chegou à capa da "Time Magazine" .
À excepção do Facebook, as redes sociais defenderam que a informação que enviam para os anunciantes incluem o número de identificação do utilizador onde se encontra o anúncio e não do visitante.
Anunciantes não estão interessados em informação pessoal
Tanto a Google como a Yahoo negaram ter-se apercebido de que recebiam a informação adicional e afirmam não ter feito uso de tal informação.
"Nós proibimos os nossos utilizadores de enviar informação pessoal. Nós dizemos-lhes: 'Não queremos. Não deviam enviar-nos isso. Se a informação chegar, nós não vamos lá ver'", declarou a vice-presidente da Yahoo, Anne Toth.

Marina Tsvetaeva,

Marina Tsvetaeva,

Você, passa por mim apressada
Depois de encantos que você dificilmente atingirá
Se você soubesse  o fogo que é desperdiçado,
Como a vida é desperdiçada em vão!
E o fogo, tão heroicamente como  erupção cutânea,
Umas sombras ocasionais podem evocar
E como meu coração foi queimado em cinzas
Por essa fumaça de pólvora inútil.
O, os trens que saem de terminais noturnos,
Transporte é onde   dormirei para onde quer que vá ...
Então, novamente, é pouco provável
Que você conheça mesmo e que você saiba -
Por que meus discursos são afiados e breve,
Na fumaça do meu cigarro, -
Como nesta   escuridao  e ameaçadora tristeza
Na  minha cabeça de cabelos dourados desalinhados...

Dave matthews whit friends

Warehouse-live at Folson Field Boulder live