segunda-feira, 21 de junho de 2010

(Fernanda Mello)

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Experimente gostar de mim.
Não sou fácil.
Não coleciono inimigos.
Quase nunca estou pra ninguém.
Mudo de humor conforme a lua.
Me irrito fácil.
Me desinteresso à toa.
Tenho o desassossego dentro da bolsa.
E um par de asas que nunca deixo.
Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo.
E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui.
Ontem, eu perdi um sonho.
E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir...
Mas não tem nada, não.
Bonito mesmo é essa coisa da vida:
um dia, quando menos se espera,
a gente se supera.
E chega mais perto de ser quem
- na verdade -
a gente é.
(Fernanda Mello)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Fernando Pessoa

Deste modo ou daquele modo,
Conforme calha ou não calha,
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.

Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar de um corredor
Do pensamento para as palavras.

Nem sempre sinto o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,

Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.

E assim escrevo, querendo sentir a Natureza nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza e mais nada.
E assim escrevo, ora bem, ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer, ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele-próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Alberto Caeiro

segunda-feira, 14 de junho de 2010

 

 

 

Otávio e Gustavo Pandolfo

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Pra quem mora lá, o céu é lá: o Brasil de Osgemeos em Lisboa

Há desses dias impressionantes. É possível estar-se perdido entre as antiguidades da Rua do Lavradio, jurar por alguns segundos ter se apartado da cidade, sentir o silêncio e o cinza. No meio da cidade e do engarrafamento axiomático da ponte Rio-Niterói, está, no fundo de um daqueles prédios antigos e maltratados, um imenso painel em preto e branco, entre a psicodelia e o bizarro. Seus autores: Otávio e Gustavo Pandolfo, nascidos ambos de um mesmo parto em São Paulo no ano de 1974, OSGEMEOS, é como são conhecidos. Vanguarda e tradição se misturam na StreetArt brasileira e expõem bem no Centro de um Rio de Janeiro arte poderosa e vertiginosa ao alcance dos olhos abertos ao maravilhamento.

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Pela primeira vez expondo dentro de um museu – havia já exposto do lado de fora do Tate Gallery, em Londres – os irmãos inauguram no Colecção Berardo em Lisboa a exposição Pra quem mora lá, o céu é lá, seleção de painéis e instalações, muitas interativas, que se espalham por duas salas e transbordam pelas ruas da capital portuguesa em um gigantesco mural feito sobre um prédio sem janelas.

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Otávio e Gustavo Pandolfo são realmente gêmeos, idênticos. Aos 12 anos, munidos de spray, vidros de desodorante, hiphop, tinta de carro e daquele credo adolescente de que se é intocável em um mundo ilimitado, produziram seus primeiros traços e personagens. A referência era e ainda é a cidade, é São Paulo diluído, tocado fogo e adocicado – tudo ao mesmo tempo – dentro de duas mentes cuja compreensão mútua nos escapa, Osgemeos tinham já ali seu universo de expressão que, com velocidade, foi se tornando maduro, original e reconhecível.

Os homens amarelos - tão amarelos quanto os que a Anita Malffati pintou há quase há 100 anos – o Nordeste tornado paulistano, são a chave. Personagens do êxodo, da busca, ponte entre o desenraizamento e a criação de novos afetos culturais. Esse elemento principal é que conduz ao folclore e, por ele, às cores, ao inusitado, ao pitoresco, ao mito de origem de um país que é pobre, que dói, mas que ri.

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Em 1993, pensando na possibilidade de viver do graffiti, os irmãos começaram a desenvolver trabalhos lá e aqui, decorando escritórios, publicidades e revistas. Mas o estilo latente carecia de referências para além dos metrôs e pichações urbanas. Elas vieram com o californiano Barry McGee, o Twist, que realizava um intercâmbio no Brasil e lhes apresentou o cenário mundial do grafite, técnicas e vastas possibilidades. Saíram então para sua primeira viagem pelo país, colhendo material e aprimorando e amadurecendo um estilo que se provaria único. O reconhecimento internacional não tardou e logo estavam com seus homens amarelos em Miami, Amsterdam e Londres. A exposição Vertigem, apresentada ano passado no Rio de Janeiro, me comoveu e a amigos. Os retratos de família, a fúria: ali também estava a minha história e o meu universo particular.

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O público de Lisboa terá agora a oportunidade de descobrir como esses fantásticos irmãos se desenvolvem em um ambiente talvez mais formal, mais acadêmico. A Streetart chega ao século XXI consagrada em museus. Otávio e Pandolfo, gêmeos idênticos e paulistanos irão certamente provar que a arte urbana não se limita por tão pouco, é o livre espírito de nosso tempo.

sábado, 12 de junho de 2010

Coetzee

 

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O vencedor do Prêmio Nobel JM Coetzee nasceu na África do Sul 1940 e recebeu seu segundo Booker Prize por este livro notável, sendo o único autor a data de ter recebido este prêmio famoso pela segunda vez. O romance é ambientado no período pós-apartheid e descreve num estilo suave de maior clareza o destino de um professor que é acusado de assédio sexual, é forçado a sair da universidade e tenta apreender uma nova vida, vivendo na fazenda do seu filha. A factualidade de Coetzee escolha da linguagem faz com que o crime que ocorre assumir uma qualidade ainda mais..

pressentimento…

Use o AMOR
para enfrentar a vida
para encontrar sua paz
para sentir-se amado
para sorrir facilmente
para viver com sorriso
para ter paz
para perdoar e ser perdoado
para amar e ser amado ♥
Os homens cultivam cinco mil rosas
num mesmo jardim e não encontram
o que procuram E no entanto o que
eles buscam poderia ser achado
numa só rosa
amor,é aquela que não
precisa somente de palavras
É aquela que também
nos deixa sem palavras
Atenção para a previsão do tempo Uma frente
de felicidades vai atingir a região Sul do seu coração
No Norte choverão alegrias
Gostar de poesia não significa ser poeta
E poderia o poeta nunca poetizar?
Há tanta poesia em um olhar
Que seria o dono desse um poeta?
As flores que desabrocham e perfuma o ar
Foi uma poesia composta pelo Criador?
Ou seria o jardineiro o seu compositor?
então seria também poeta quem a admira?
E o amanete que a rouba para a sua amada presentear
Que versos mais fortes poderia conter esse amor
Seria necessário a ele, rimar?
O que é ser poeta senão ser amante e se doar?
Sejam palavras, canções ou o simples ressoar
De um coração que ama e não teme se entregar?
Os braços de uma mãe que acolhe o filho após uma travessura
O olhar que repreende tão cheio de ternura
Não é em sua simplicidade a mais simples poesia?
E que se diz do amor, tão despretencioso,
Que faz o amigo chorar a dor do outro?
Que poesia mais singela pode existir
Que o rosto de uma criança a sorrir?
Como não ver poesia no rubor de uma face apaixonada
Ou nos olhos que choram?
Os raios de sol que penetram o inverno aquecendo a pele
Não é a poesia se fazendo sentir?
E a água que corre entre os seichos do riacho
Não é a sua canção uma expressão poética?
A poesia está na vida, em cada partícula.
Nos fazendo, todos, poetas!

"Quando pensamos generosamente, compreendemos que a alegria de dar
e a capacidade plena de receber,
são partes de uma única dádiva."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Flavio Bastos

 

 

 

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A felicidade é uma arte!

Imaginemos um mundo onde a gentileza e a transparência nas relações fazem parte do cotidiano. Onde a vida flui sem a influência de sentimentos negativos entre as pessoas. Onde o ego não necessita mais de auto-afirmação ou de afirmação no cenário social.

Um mundo onde a perversidade há muito tempo cedeu lugar a gestos de bondade, fraternidade e de ações em prol do bem comum. Onde não existe mais poder, governo e política, mas a conscienciocracia fundamentada no alto nível de responsabilidade do povo.

Imaginemos um mundo onde o orgulho e o egoísmo foram erradicados... e a simplicidade um sentimento permanente entre as pessoas. Onde a honestidade é um dever e uma certeza nas relações.

Um mundo onde o culto às aparências foi superado pelo avançado nível de (auto)conhecimento da população. Onde o "eu" é conectado à sua original e verdadeira identidade: a essência, o espírito.

Imaginemos um mundo sem dor ou sofrimento, onde a energia do amor flui naturalmente, alimentando mecanismos responsáveis pelo processo vital. Onde o ciúme e a inveja são somente palavras esquecidas nas brumas do tempo.

Um mundo onde doenças e tragédias inexistem, e a longevidade... uma conquista. Onde o fim da existência física representa apenas um ciclo de renascimentos interdimensionais... e a "morte", apenas uma curta separação, sem traumas, culpas ou remorsos.

Imaginemos um mundo onde os (re)nascimentos são saudados e aguardados com muito amor e carinho. Onde o idoso é tratado como um sábio, um mestre... e considerado entre os jovens, uma referência.

Um mundo onde sexo e sexualidade se integram com a energia que emana do UNO. Onde a mesma energia manifesta-se também nas inspirações artísticas e nos gestos de amor entre as pessoas.

Enfim, imaginemos um mundo onde um dia a felicidade foi considerada arte... e a partir de então, levada a sério como indispensável instrumento de libertação e de evolução espiritual.

Flavio Bastos

Luz María Vales

Luz María Vales - fotografia e transparências
Os trabalhos de Luz Maria Vales são absolutamente deslumbrantes. Se pensarmos que esta fotógrafa nascida no México é uma profissional da fotografia comercial e publicitária, teremos alguma dificuldade em aceitá-los como trabalhos artísticos. Mas a carga poética que consegue criar e transmitir em cada uma das suas fotos deixa-nos profundamente impressionados e rendidos à sua mestria. Luz domina a luz. É com ela que compõe as suas pinturas, com transparências, brilhos, penumbra, escuridão e muita fantasia. Os retratos são a sua especialidade. Conheçam a sua obra no seu site pessoal e fiquem tão fascinados quanto eu.

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Sin Título

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luzmariavales@hotmail.com