sábado, 9 de janeiro de 2010

Amargo sabor


Meu olhar triste
a alma se aconchega

Espreita sentimentos

Minha boca saliva
um sabor amargo
de amor findo

(Van Albuquerque)
08/01/10
AS CORES DO SENTIMENTO...

Amarelo: côr do meu quarto,
côr dos belos malmequeres.
Côr da alegria e tristeza,
mas quem sabe qual
as suas cores?
Quem sabe que tom oferecer
a cada sentimento?
Se às vezes nem sabem
o que é pode-los sentir.
Que forma devemos ter
perante cada novo florir
de um novo estado d'alma,
de uma nova vida?
Púrpura: côr da paixão,
do sangue sofrimento.
Porquê púrpura e não
rosa, verde ou laranja?
Porquê? Se nem sequer
sabemos o que elas são?
Porquê tentar dar
a um sntimento uma côr,
se uma côr não significa
nem ternura nem amor.
Os sentimentos somente
significam um estado d'alma
não uma cor sem sentido,
sem vida. Uma côr,
por mais que tentemos,
não ri, não chora, não ama.
Nós pessoas vivas,
Sim! Nós amamos e somos felizes.
A felicidade não precisa
do doirado para existir, precisa somente
de dois alguéns. Precisa
que se possa sentir.
Até porque cor, jamais
a conseguirão definir.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

(O Velho e o Mar (The Old Man And The Sea)
de Alexander Petrov)

O mar era pleno e puro.
ao fundo, a grande presença.
Em torno ao barco oscilante,
a infinita solitude
das águas, do céu, do vento.
O mar era pleno e puro,
em tôrno a pura beleza
no barco o desejo e o sonho
do lidador extenuado
sentindo a presença enorme
ao fim da linha retêsa.
O mar era pleno e puro.
Hemingway, que a dor me deixe
cantar a balada triste
teu velho, teu mar, teu peixe:
sim, que me deixe cantar.
O mar era puro e pleno:
era todo o imenso mar...


Tasso da Silveira
Poemas de Antes – l.966 –

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


'Passeio ao Campo'

Meu Amor! Meu Amante! Meu Amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
- Vamos correr e rir por entre o trigo! –

Há rendas de gramíneas pelos montes...
Papoilas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...

E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras!...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
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visitante
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MEU ÌNTIMO

Montanha de livros que se acumulam
Na embriagues de meus contos íntimos
Sobriedade de minhas vontades
Imensidão de desejos ocultos
Loucura diária que cerca
falsidade estigmatizada pelos sonhos
Colisão do falso com a pura verdade
Amplitude de meu desejo insano
Tua face estampada em meu peito
Minha boca sentindo sua respiração
Minha alma deslizando em seu corpo
Essência de nossos movimentos
Angústia de nosso pouco tempo
Insensatez de nossa loucura
Cumplicidade de um ato final
Emoção de um último beijo
Um adeus de um até mais
Na posse de um desejo não saciado
Desejo teu corpo
teu beijo
teu amor
teu sexo
Desejo tua vida
Tua alma

Adriana Leal

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

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Quem Ama___

Quem ama nada exige.
Perdoa sem traçar condições.
Sabe sacrificar-se pela felicidade alheia.
Renuncia com alegria ao que mais deseja.
Não espera reconhecimento.
Serve sem cansaço.
Apaga-te para que outros brilhem.
Silencia as aflições, ocultando
as próprias lágrimas.
Retribui o mal com o bem.
É sempre o mesmo em qualquer situação.
Vive para ser útil aos semelhantes.
Agradece a cruz que leva sobre os ombros.
Fala esclarecendo e ouve compreendendo.
Crê na Verdade e procura ser justo.
Quem ama, qual o samaritano anônimo
da parábola do Mestre,
levanta os caídos da estrada,
balsamiza-lhes as chagas, abraça-os
fraternalmente e segue adiante...
(Chico Xavier)