sábado, 8 de maio de 2010


Este poema é absolutamente desnecessário

Este poema é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito
e ninguém sentiria a sua falta
Esta é a sua liberdade negativa a sua vacuidade dinâmica
e o movimento da sua abolição
a partir do seu vazio inicial
Mas qual é a sua matéria qual o seu horizonte?
Traçará ele uma linha em torno da sua nulidade
e fechar-se-á como uma concha de cabelos ou como um
[útero do nada?
Ou será a possibilidade extrema de uma presença inesperada
que surgiria quando chegasse a essa fronteira branca
que já não separaria o ser do nada e no seu esplendor absoluto
revelaria a integridade do ser antes de todas as imagens
a sua violência inaugural a sua volúvel gestação?

António Ramos Rosa





Yo Te Voy A Amar

Cuando sientas tristeza
Que no puedas calmar
Cuando haya un vacio
Que no puedas llenar
Te abrazaré
Te haré olvidar lo que te hizo sufrir
No vas a caer
Mientras que estés junto a mi

Si siente un frio tu corazón
Seré tu abrigo, tu ilusión
Hasta ya no respirar
Yo te voy a amar

Yo siempre te he amado
Y amor, yo estaré
Por siempre a tu lado
Nunca me alejaré
Prometo mi amor
Te juro ante dios
Nunca te voy a faltar
Tu corazón
No volverás a llorar

Si siente un frio tu corazón
Seré tu abrigo, tu ilusión
Hasta ya no respirar
Yo te voy a amar

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Nuvem .
Canto forte, o hino que não sei
Na esperança épica do que abracei
Pela glória de uma tenra idade que nunca passei.
Pela honra e devoção desisti de lutar
Pelo amor a quem não consigo consagrar
Pela dignidade que jamais há-de voltar
Cruzo os braços na ilusão de um dia mudar.

E o tempo passa e me ultrapassa
E o sonho já lá vai
E de caneta em punho sou pai
Desta ténue e débil farsa.
Moribundo, morro sou defunto
De coragem para mudar o mundo
JP



Eu não sei se você se recorda de como era
a sua vida quando mais jovem, mas com
certeza você se lembra de como usava o
cabelo, dos presentes preferidos no
aniversário, assim como se recorda do seu
corpo mais rígido e da sua cabeça que não
era como a que tem, agora. Hoje, dez
anos depois, tudo mudou, inclusive a
cama, não o colchão ou os lençóis,
mas a cama propriamente dita, assim
como os seus desejos, a sua ousadia, o
desempenho na relação e o gozo
conseguido. É claro que algumas coisas
não mudaram, como o seu caráter e a
sua fidelidade para com os amigos e
com você mesma. Mas outras, querendo
ou não, mudam a cada década vivida e
o sexo então, nem se fala. A propósito;
como será você quando tiver 30 ou 40
anos de idade, cinquenta, quem sabe?
Como será você, sexualmente? Quando
se tem 20 anos a animação é grande.
As mulheres fazem preliminares
tântricas, sem tempo para terminar. E
faz isso em qualquer lugar; no capô de
um carro, no escritório do namorado,
no escurinho do cinema, numa rua ou
praia deserta. Transam na escadaria
do prédio e sem pudor algum contam
para as amigas do escritório ou do
colégio. Com o tempo essas coisas vão
mudando e o que se fazia em um dia
achando que o tempo passava rápido
demais, faz-se, hoje em duas horas,
porém muito mais bem feito. O prazer é
imenso e as horas parecem que não
passam. Foi assim com uma amiga que
tinha um namorado e jurava ser ele o
cara de sua vida. Ficou três meses com
o sujeito. Mais tarde ficou com outro, da
mesma igreja. Ele não foi o primeiro
com quem transei, mas tem tudo a ver
comigo, dizia ela introspectiva. Na última
vez em que estivemos juntos ela jurou
ter encontrado a sua cara metade. Eu e
o meu namorado fazemos coisas que eu
sempre repudiei nas putas, mas com ele
eu acho maravilhoso, mesmo que eu
continue achando que não são coisas
que mulher direita, afirmou ela
desviando o seu olhar do meu, faz. O
tempo muda cada pessoa no decorrer
dos dias. Muitas mudam para melhor,
outras se acovardam, mas de certa
forma, mudam também. Com a perda
do medo o corpo aproveita e se perde
em gozos múltiplos. Carinhos atrevidos,
sussurros ao pé do ouvido e além da
janela mal trancada que o vento abre, a
luz. As cores da vida. O grito da loba. O
círculo que se encerra, mais uma vez





quinta-feira, 6 de maio de 2010

O QUE REQUEIRO AO DIA

O que requeiro ao dia não é já
que realize os meus sonhos, ou me dê
os desejos realizados dos outros dias,
porque aprendi afinal que os sonhos
são como as asas de um insecto,
que se desfazem quando o homem lhes toca;
aliás, um sonho ao realizar-se é já outra coisa,
que não ajuda a voar.
O que requeiro ao dia é aquele sonho
que ao tocar-lhe se parta em outros sonhos,
tal como um bola de mercúrio,
e brilhe longe das minhas mãos.
O que requeiro ao dia começa a ser
inclusive mais difícil de alcançar
do que os sonhos realizados, porque exige
a fé antiga nos sonhos.
O que requeiro ao dia é apenas
um pouco de esperança,
essa forma modesta de felicidade.

Vicente Gallego


Pensamento primaveril

O medo mistura-se ao prazer
enquanto ela sorri ao pensar que vai ao seu encontro
A caminho do lago o orvalho da montanha refresca-lhe
as mangas de seda
Quem se habituaria a estas coisas ilícitas?
Somente o receio de faltar ao juramento secreto
leva com passos cautelosos ao quiosque de perfumes de brocado
Espreita, procura nos ruídos do vento
esconde-te à espera do amor perfumado
Ao pé do muro branco uma flor brinca com a sua sombra
Sob as persianas vermelhas o brilho disfarçado da lua
Docemente
com um sopro, a lâmpada apaga-se.

Zhang Kejiu


LUZ DO AMOR

Há!!! Eu gosto de você...
Como pude demorar tanto para entender...
Do grande amor que sinto...
De coração aberto... Madura no sentido da vida...
De alma limpa... Acreditando em um poder maior...
Está nova oportunidade que a vida me dá...
Pode até parecer bobagem de poetisa apreendiz...
Mas este amor sempre existiu dentro de mim...
Eu só não sabia como viver este amor...
Surgiu agora mais intenso...
Com um jeito especial...
Vindo do Amor de Deus...
Hoje apreendi, olhar o lado bom das pessoas...
Não tentar mudar o que não pode ser mudado...
Apreendi a querer bem a todos, mesmo aqueles que não gostam de mim...
Quero a paz que sempre desejei...
Quero o amor que sempre almejei...
Encontrar em ti sabedoria...
Seguir a luz que em sua volta resplandece...
Reconciliar-me com minha alma...
E agora com seu amor dentro do meu coração...
Tudo vai ficar bem pra mim.

Autora Soninha Poetisa

quarta-feira, 5 de maio de 2010

NEYL YOUNG - HEY HEY

video

George Bernard Shaw



"Não temos o direito de consumir felicidade sem produzi-la."(George Bernard Shaw)

(George Bernard Shaw)

Dramaturgo, crítico e ensaísta Irlandês. Nasceu em 26/7/1856, Dublin. Faleceu em 2/11/1950, Ayot Saint Lawrence, Hertfordshire. Um dos principais nomes do teatro moderno e grande defensor do socialismo no Reino Unido. Retrata na sua obra o inconformismo em relação ao capitalismo e aos costumes da sociedade inglesa. Recusa o Prémio Nobel de Literatura, com que é agraciado em 1925. Filho de uma tradicional mas empobrecida família.

Aos 16 anos deixa de estudar com regularidade e emprega-se num escritório. Começa a escrever em 1876, mas não obtém sucesso. Funda a Fabian Society (1884), que prega o socialismo não marxista, contrário à revolução como forma de tomar o poder. Sobre o tema escreve Ensaios Fabianos sobre Socialismo (1889). Nessa época, estreia-se no jornalismo como crítico de arte. Estreia-se como dramaturgo em 1892, com Casa de Viúvos. A obra dá início ao ciclo das "peças desagradáveis", como define o autor, que inclui A Profissão da Senhora Warren (1893), sobre uma rica cafetina. Seguem-se Homem e Super-Homem (1903) e O Dilema do Doutor (1906), entre outras. Pigmalião (1913) é adaptada para o cinema em 1964, no musical My Fair Lady.

T.S.ELIOT



"Cada dia é um novo começo."

(Thomas Stearns Eliot)

Norte-americano, Inglês Naturalizado. Poeta, crítico literário, dramaturgo e editor. Thomas Stearns Eliot nasceu em 26/9/1888, Saint Louis, Missouri. Faleceu em 4/1/1965, Londres. Considerado um dos principais nomes da poesia moderna de língua inglesa. Estuda nas universidades de Harvard (EUA), Oxford (Inglaterra) e Sorbonne (França). Em 1915, desencantado com a vida cultural dos EUA, muda-se para Londres, onde trabalha no Lloyds Bank durante sete anos. Em 1917 publica A Canção de Amor de John Alfred Prufrock, de influência simbolista. Seus ensaios em The Sacred Wood (1920) iniciam uma revolução nos critérios da análise literária.

O reconhecimento internacional é alcançado com A Terra Devastada (1922), sua obra-prima. É uma longa descrição poética da Europa desolada do pós-guerra e uma síntese dos grandes momentos da civilização ocidental. Além dos simbolistas franceses, o escritor italiano Dante Alighieri influencia sua obra, que explora os mecanismos da consciência. Em 1927 naturaliza-se inglês e converte-se ao anglicanismo. Recebe o Prémio Nobel de Literatura em 1948. Escreve as peças Murder in the Cathedral (1935), The Family Reunion (1939) e The Elder Statestman (1958), entre outras.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Alguém se tinha esquecido de me dizer que os banhos continuavam operacionais, que não eram apenas um monumento antigo que se podia visitar. A mulher no guichet de entrada pediu-me o dinheiro e apontou-me uma porta modesta com a tinta castanha estalada, a destoar do edifício de pedra antiga e paredes muito altas, uma obra de arquitectura discreta e elevada. Sempre obediente, fiz sinal ao cão para que me esperasse, e entrei, achando que o dinheiro era pela visita.


Dei por mim numa sala escura com um balcão alto, sem janelas, apenas com outra porta, que abri após dois segundos de hesitação. E eis-me numa outra sala, ainda mais quente, com bancos corridos e alguns cabides ao longo das paredes, e uma terceira (ou quarta?) porta. Que abri também, para dar comigo numa divisão quente e cheia de vapor, com as paredes de pedra muito alisada e o chão molhado; após alguns instantes a tentar perceber que jogo de portas e passagens era aquele, vi, apesar dos óculos embaciados, uma mulher nua passar com um balde na mão, arrastando atrás de si uma gargalhada que a humidade distorcia até parecer um miado. Passou, e desapareceu por um corredor ao fundo.

Fez-se luz no meu espírito, e voltei para trás. Na primeira sala estava agora uma mulher ao balcão, que me chamou e me passou para as mãos uma toalha minúscula, vermelha e branca. Fiz-lhe sinal de que não queria: eu só tinha vindo para ver, tinha-me enganado, tentei explicar que não me tinha preparado para aquilo, mas ela, com convicção inabalável e talvez vingando-se das contrariedades da vida, fez-me dar-lhe mais algumas moedas a troco de dois pequenos pacotes de sabão e champô, e uma luva áspera de banho, e despachou-me de volta à segunda sala.

Entrei para o balneário pensando como me tinha deixado convencer. Sabia que o banho turco, o verdadeiro, não tinha muito a ver com as nossas cabines esterilizadas de ginásio; conhecia relatos que me inspiravam terror e tinha visto fotografias e vídeos de homens de cara contraída a quem os 'banheiros' quase literalmente arrancavam o couro, torciam braços e pernas, espremiam as costas e rodavam o pescoço mais do que a natureza permitia, com a energia e a desenvoltura de quem está a amassar pão ou a esfolar um coelho. A isso davam o nome de banho com massagem e tratamento especial.

Despi-me e fiquei contente por tirar os óculos; sem eles, ia sentir-me menos observada, embora nem por isso menos alienígena. A ideia de que é quando estamos nus que somos mais iguais nunca me pareceu tão absurda. Passei a primeira sala de banho, tentando não escorregar no chão molhado, e comecei a suar. Na segunda, ainda mais quente, havia no tecto uma pequena clarabóia central, um umbigo para o céu, e por ela entrava um fio de luz que escorria, lento como azeite, sobre uma plataforma de pedra poligonal. Aí estavam sentadas ou deitadas as mulheres, nuas também - todos os tamanhos e feitios de corpos, todas as variações de tons de pele, alturas de pescoço, o côncavo e o convexo de cada barriga, cores e diâmetros de mamilos, larguras de ombros e vincos nas colunas, cicatrizes abdominais, separadas umas das outras por cortinas de vapor, numa intimidade indiferente e tranquila a que era suposto eu juntar-me.

Pensei em lady Mary Montagu, cujas descrições de testemunha ocular corroboravam a visão de Ingres; mas apenas parcialmente era verdade o que eles diziam (ou eram outros os tempos), porque não havia música, mas sim vozes quotidianas e ásperas, risos sem pretensões, sons de água em jorros pesados a ecoar no chão. Não havia sequer uma luz rosada que transmutasse a carne de todos os dias em arte, e tudo era escuro e prosaico e eu não sabia como comportar-me, o meu olhar não sabia onde ou como pousar sem se sentir promíscuo, e muito menos em mim mesma. Ao longo das paredes havia pequenos cubículos mais resguardados com tanques cheios de água, onde as mulheres se lavavam, esfregando-se vigorosamente, sozinhas ou umas às outras. Era um acto prático, a higiene máxima do corpo, uma prescrição religiosa, um momento de vigilância, sem o voyeurismo a que eu não conseguia fugir, habituada ao pudor da higiene privada, sentindo que cada poro meu provava que vinha de longe.

Percebi que algumas mulheres me olhavam, e era provável que houvesse sorrisos ligeiramente trocistas pela minha incompetência. Aquela intimidade, embora forçada, começava a acomodar-se-me ao corpo e ao espírito com a mesma leve tontura libertadora com que o vapor me entrava na pele. Disse para mim mesma que sabia tomar banho tão bem como qualquer outra pessoa, nem que essa pessoa fosse de Fava. Estendi-me sobre a pedra, como se soubesse o que estava a fazer; a obscuridade e o calor obrigavam-me a respirar devagar, e fiquei a ver o filme interminável da luz da clarabóia a enroscar-se nos farrapos de vapor que subiam.

Acordei com a voz duma mulher que me fazia sinal para saber se eu queria a massagem. Decidi levar a experiência até ao fim. A mulher tratou-me com a perícia de um talhante, e em momento algum eu conseguia prever onde ia assentar as mãos implacáveis. Pôs-me um óleo que me fazia deslizar na superfície da pedra como se fosse eu mesma uma barra de sabão a desfazer-se lentamente. Quando terminou (braços e pernas espremidos, coluna apertada e esticada e apertada e esticada), senti-me como se me tivessem desmontado em peças, lubrificado e recomposto, agora com tudo no sítio certo. Fui para um dos cantos resguardados, lavei-me e segui as portas até ao balneário, vesti a minha roupa, que agora me parecia ser de outra pessoa, e saí para a luz demasiado forte.

Iyi?, perguntou-me a mulher à entrada. Magniiiific, respondi eu, sorrindo. E ela levantou os braços, como eu tivesse triunfado de toda a porcaria do mundo. Poucos metros à frente, o Maritsa passava, e imaginei que levava consigo a água dos banhos, turva e ainda morna como a roupa de um dia longo acabada de despir.

PROJECTO VENUS


Vénus, crepúsculo de uma tarde extremamente solarenga. Jacque Fresco coloca, com a meticulosidade reflectida na precisão com que gesticula e maneja incrivelmente detalhadas miniaturas, o último andar de um edifício-maquete de mais uma visão arquitectónica futurista. Roxanne, sua companheira e ajudante, alimenta um entusiástico debate com um grupo de visitantes sobre um tempo que há-de vir, com bolinhos de laranja acabados de fazer e sumo de ananás fresco. Situado a cerca de 40 milhões de quilómetros da Terra, o planeta Vénus é um corpo celeste que brilha continuamente durante o dia e durante a noite no céu terrestre. É uma luz continuamente presente, algo que nos faz lembrar onde estamos e quem somos.

À distância dos mesmos 40 milhões de quilómetros de Vénus encontra-se Vénus, na Flórida, Estados Unidos da América. É lá que se concentram os indícios de uma civilização que aguarda por acontecer. É lá que se reestrutura o nosso Futuro, que se criam as bases de uma nova humanidade. Bem-vindos à base de operações do Projeto Vénus.

Crime, poluição, prisão, falência, corrupção. Jacque Fesco apresenta-nos uma aliciante hipótese para solucionar estes problemas. Parece uma utopia. E é, mas as utopias do Passado são a realidade do Presente, e Jacque propõe, simplesmente, reestruturar toda a sociedade, e o quanto antes. Parece um bom plano.

O Projeto Vénus é um projeto denso, com os pés bem assentes na terra, que, envolvendo uma diversificada panóplia de paradigmas, cimenta muito bem a teoria e a prática de uma nova, e certamente admirável, futura sociedade. Vamos, com a minúcia possível, detalhar este planeta do Futuro.

O conceito-base aparenta uma certa simplicidade: de acordo com Jacque Fresco, a economia baseada no lucro (o actual sistema monetário) gera escassez, pobreza, crime, corrupção e guerra. Impede também o saudável desenvolvimento da tecnologia, que deveria ser utilizada para benefício da sociedade e não em prol da poluição, da construção de armas, da massificação do consumo, da alienação, entre outros. Ou seja, se a tecnologia fosse utilizada fora do âmbito do lucro, sobejaria espaço para uma maior abundância e distribuição de recursos, o que, consequentemente, se repercutiria numa drástica diminuição da corrupção, da ganância e egoísmo que caracterizam as sociedades desenvolvidas contemporâneas. Tudo isto em prol de uma atitude de cooperação.

Fresco acredita que é possível construir uma sociedade assim, em que as pessoas vivam vidas “mais longas, com mais saúde e com mais significado”. E como se consegue tal prodígio? Fácil: substitui-se a economia baseada no dinheiro por uma economia baseada nos recursos. Esta visão ressalta, finalmente, da observação de que os processos resultantes do sistema monetário, como o trabalho e a competição, corrompem a sociedade e afastam as pessoas do seu verdadeiro potencial. É nesta sociedade de cooperação e altamente tecnológica que o Projeto Vénus vê o escape da sociedade ao actual panorama eco-sociológico.
projecto venus



Mas afinal quem é este senhor que ousa pôr em causa toda a estrutura social, e alega ter encontrado uma forma de criar uma sociedade nova, uma sociedade melhor? Designer industrial, engenheiro social, autor, futurista e inventor: Jacque Fresco.

Fresco tem trabalhado num amplo leque de temas, desde o campo da biomédica até à área dos sistemas sociais integrados. Agora dedica-se, a par com Roxanne, à construção de protótipos, experimentando constantemente novos materiais. Ambos vivem actualmente no centro de pesquisa do projeto, em Vénus, e inclusive habitam um destes protótipos.

Quando era criança, uma forma provocou em Jacque uma visão que desde então é a base das suas inúmeras maquetes de cidades, meios de transporte, meios de construção, veículos espaciais e, inclusive, modelos sociais. Essa forma é… a engrenagem.

E há mais: há o Metal-Memória. Este material pode ser totalmente deformado, retorcido de inúmeras formas e, depois de totalmente distorcido, quando sujeito a uma certa temperatura, volta exactamente à sua forma original. Assim, estruturas feitas de Metal-Memória podem ser comprimidas em pequenos cubos para serem transportados, normalmente para cidades construídas no mar, e aí expandir para a estrutura previamente construída. Quase instantaneamente veríamos um prédio emergir a partir de um pequeno cubo deste peculiar material, quase que por magia, sem truques.

O Projecto Vénus está, em parte, associado ao movimento Zeitgeist (do alemão “espírito do tempo”), cuja obra culminou na edição de dois filmes, ambos reflectindo a visão de Peter Joseph sobre o clima intelectual e cultural da nossa época. Ambos estão disponíveis gratuitamente na internet, legendados em português. O primeiro chama-se Zeitgeist: The Movie (“Zeitgeist: O Filme”) e o segundo Zeitgeist: Addendum. Neste segundo filme Peter Joseph introduz o Projecto Vénus. De salientar que ambos ganharam, nos respectivos anos de lançamento, a saber: 2007 e 2008, os prémios de melhor filme no Artivist Film Festival, em Hollywood.

Muito fica por dizer sobre o Projeto Vénus. Que este artigo seja a prancha para uma pesquisa individual mais profunda e, quem sabe, para um melhor entendimento do mundo e das soluções que nos apresentam, de forma a garantirmos um futuro muito mais solarengo.

A História verifica que nada é impossível de ser concretizado. As ideias futuristas de hoje poderão ser as realidades de amanhã. Atribui-se a George Bernard Shaw esta conhecidíssima frase que pode sintetizar a utopia de Jacque Fresco: “Alguns homens vêem as coisas como são e perguntam: “Porquê?” Eu sonho com as coisas que nunca existiram e pergunto: Porque não?”. Agora é a vossa vez.


SONHO DE AMOR

Tem nos olhos a esperança,
Nas tuas mãos a carícia pura,
No teu jeito doce, a ternura
No teu coração bondade e doçura.

É da minha alma o encanto
Do meu amor, maior instante
Do que sou, a alma gêmea
Da minha dor, a cura
Da violência a brandura.

Vou amar-te loucamente,
Acalentar-te docemente
Fazer do meu corpo tua morada
Deitar em ti toda minha alma.

Penetrando em mim teu desejo
Eu te darei minha loucura reprimida
Meu carinho e minha mão precisa.

Quero de ti o amor profundo
Das tuas mãos a experiência,
Do teu corpo a cobertura
Do encontro um amor que dura.

MÁRCIA ROCHA

segunda-feira, 3 de maio de 2010




O MOMENTO DO AMOR

Vivo pela vida e pelo amor,
Pois é ele o melhor dos sentimentos,
Embora possa trazer-nos sofrimentos
Ainda é o de maior valor.

O amor é o reflexo do estado
Na qual se encontra a nossa alma,
Pode estar em ebulição ou em calma,
Como todo ser apaixonado.

Uma alma em ebulição,
Pode conceder um amor mais quente,
Abraça tudo não se faz de irreverente,
E apela logo para a paixão.

Mas, quando a calma prevalece,
Então o amor fica mais lindo e gracioso,
A calmaria deixa-o leve, doce e delicioso,
E faz-nos coisas que não se esquece.

Porém, seja lá qual for,
O grau em que está seu envolvimento,
Aproveite e viva bem este momento,
Tão fascinante, do seu amor.

Marco Orsi



NOS UMBRAIS DA VIDA

Me encontro aberta
A ter novo destino,
Que me dê beleza
Das águas claras de um rio.

Vou ter nas minhas margens
Flores, campos e sonhos
Para atravessar a vida
Tendo na alma mais encanto.

Levo também meu desejo
De ter meu porto seguro,
Embrenhar-me nas tuas ondas
Banhar meus sonhos mais profundos.

Tenho vivido sem destino
Procurando meu norte,
Pernoito no meu barco
Amanheço dentro dos teus braços.

Vida, estranha vida!
Ninguém sabe como vivê-la
Deixam fugir das tuas mãos
A felicidade verdadeira.

MÁRCIA ROCHA





Viajo em nova estrada,
Busco uma nova alvorada
Um amor verdadeiro
Um belo companheiro.

Que seja minha cara metade
Goste de amar com verdade,
Ame a vida com alegria
Seja feliz todo dia.

Um amor caprichoso,
Bem esperto e amoroso,
Que saiba como encantar,
Surpreenda toda hora
Que me pega para amar.

Pode parecer brincadeira,
Vivo sempre à minha maneira,
Procuro um homem perfeito
Um amor assim do meu jeito

Isso vai acabar!
Não paro antes de encontrar,
Um amante apaixonado
Um eterno namorado.
Que saiba do amor
Melhor dos que tenho achado.

Um amor para dizer
Eu te amo...
Sem medo de desenganos,
Amor que excede a paixão
Amor que ultrapassa a razão

MÁRCIA ROCHA

domingo, 2 de maio de 2010



MEU AMOR

De todas as maneiras que me enfeito
Sei que me preferes nua.
Sou para ti uma escultura viva
Assombrando tuas noites frias.
Vou me vestir de sonhos,
Entregar-me aos teus delírios
Ser tua musa, tua fantasia
A mulher que iluminou os teus dias.
Sonho de amor, paixão nascida
Voragem de desejos penetrando
Teus sentidos...
Amando-te simplesmente
Como bicho e como gente,
Com um amor calmo e permanente,
Ser tua amiga e tua amante
Até em teus braços morrer
Na eternidade de um instante.
MÁRCIA ROCHA




Assim o amor


Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos
Em vão busquei eterna luz precisa.


(Sophia de Mello Breyner Andresen)




CANÇÃO

No fim de contas, um pássaro
cantando na noite densa
é coisa que a gente encontra
muitas vezes, mesmo longe
do vago mundo da lenda.

Alma é dor, mas também êxtase.
E quando menos se espera
da areia surge uma fonte,
nasce uma rosa na sombra,
canta um pássaro na treva.

A amada chegando tímida
é a rosa por que esperamos,
o amigo, uma fonte fresca,
e a lua no céu acesa
vale um pássaro cantando.

Solta um pássaro notívago
profunda e grave cantiga
no entanto pura e singela:
isto ocorre quando o Poeta
canta na noite da vida.

Tasso da Silveira