sexta-feira, 19 de março de 2010


A VOZ DAS COISAS

Eu tanto amo as primeiras paisagens
que vi na infância, que o infinito rumor
nem sempre vem à tona.
(A poesia mora entre as neblinas).

Quero falar dos rios que conheci há muito tempo,
e que rasgam meu olhar sem crueldade;
quero falar da procissão e do azul dos seus andores,
dos redemoinhos de terror e susto
espiralando em meu coração.

Quero falar das gentes, dos vizinhos da frente,
de trás, dos lados
de minha casa,
do verde cheiro de terra molhada,
de eternos limites que o vento criou
dentro de mim.

É ruidoso o sentimento,
poesia que ferve, machuca, queima
e nem sempre se mostra.

A minha terra, primeira morada dos sonhos,
antes me continha,
e hoje, tão forte eu a prendo na alma
que ela não escorre de mim.

(Maria Lúcia Felix)

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