terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sonhei com mundos e cores

Sonhei


Sonhei com mundos e cores
com perfumes e amores
esperei por estrelas e cometas
por mensagens e beijos loucos.
Fiquei só ao vento frio
na esquina da solidão
que me bateu ao peito
resisti não sei como
... talvez pela teimosia
da minha alma.
Percorro meus versos agourentos
esvaindo-me pelo nada
Passeios oníricos
Meus olhos fartos de lugares-comuns
Num só impulso..´
Não estou aqui´
nunca estive
Perdi-me
pelo universo de labirintos
Em teu corpo iluminado
Meu caminho nao tem volta
Pouco me interessa o tempo sem passado


by Jorge Pereira

 

Foto: Sonhei

Sonhei com mundos e cores
com perfumes e amores
esperei por estrelas e cometas
por mensagens e beijos loucos.
Fiquei só ao vento frio 
na esquina da solidão
que me bateu ao peito
resisti não sei como 
... talvez pela teimosia 
da minha alma.
Percorro meus versos agourentos
esvaindo-me pelo nada
Passeios oníricos
Meus olhos fartos de lugares-comuns
Num só impulso..´
Não estou aqui´
nunca estive 
Perdi-me 
pelo universo de labirintos
Em teu corpo iluminado

Meu caminho nao tem volta
Pouco me interessa o tempo sem passado 

by Jorge Pereira

Belle et Bum - Hindi Zahra - Oursoul


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

The Seventh Seal: The knight's first meeting with death


Cisco Vasques: A fotografia artística

Gaúcho, nascido em 1980, Cisco Vasques é fotógrafo, maquiador e músico, suas produções me conquistaram e certamente vão conquistar você.

 

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Seus trabalhos fotográficos são profundamente surpreendentes, Cisco sabe criar uma atmosfera artística de maneira bastante pessoal, domina a maquiagem e explora de forma deslumbrante à construção de próteses em látex, criando uma personalidade única nas pessoas, um resultado que se une aos ambientes e adereços de forma provocante e poética.

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Suas produções são presença marcante em sua vida, a cúpula, sua casa, é o palco onde ele fotografa e desenvolve seus trabalhos, livre das tendências ditadas pelo mercado, habitualmente ele nos presenteia com belos retratos.

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Fotografia de Aaron Hawks

 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
O fotógrafo Aaron Hawks caminha na ténue linha que separa a arte da pornografia, ou mesmo de práticas sexuais menos vulgares. Algumas vezes dominante, outras submisso o trabalho tem força e personalidade.

 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres
 Nu Aaron Hawks Fotografia Arte Pornografia Porno Mulheres

Fotografias de Aaron Farley

fotografias de Aaron Farley

 

aaron farley

A fotografia é de facto um mundo fascinante, onde cada pessoa desenvolve o seu olhar e perspectiva própria sobre o que a rodeia. Aaron Farley é um apaixonado pela fotografia. Faz desta arte o seu trabalho e modo de vida desde os seus 20 anos. É hoje um conceituado fotógrafo Americano, com um Portfolio recheado de olhares e com um leque de clientes fixos para os quais desenvolve trabalhos unidos pelo factor de nome criatividade.

Agarra as cores, sabe como as destacar, evidencia as sombras, capta o movimento e desenvolve acima de tudo um trabalho bastante diversificado. Aaron tem de facto a capacidade de elaborar trabalhos admiráveis quer em cenários urbanos, quer em ambientes mais selvagens e naturais. Desenvolve e mostra ao mundo as suas fotografias, consideradas de autor, mostrando a sua perspectiva única e criativa sobre determinado objecto, pessoa ou situação, chegando mesmo a fotografar algumas celebridades.

Aaron Farley estudou fotografia, chegando a adquirir o bacharelato na Universidade de Washington. Em 2000 muda-se para Los Angeles, onde vive actualmente com a sua mulher e filha, sendo também aqui que desenvolve trabalhos para clientes de nome, como por exemplo, a marca Adidas, a agência Ogilvy & Mather, Getty Images, Guitar Center, entre outros. Assumindo sempre vários registos fotográficos, torna-se um fotógrafo dinâmico e conceituado no trabalho que desenvolve para esta arte.

aaron farley

aaron farley

aaron farley

aaron farley

aaron farley

aaron farley

aaron farley

Julgo que o poder dos seus registos se torna forte, porque neles existe uma marca pessoal, uma perspectiva de autor, o que faz com que quem admire e veja o trabalho de Aaron, o saiba identificar como sendo do próprio e reconheça futuros trabalhos do mesmo.

Um olhar atento unido á dedicação e ao saber criar.

Aaron Farley

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

20 anos

Caio Fernando de Abreu

Caio Fernando Loureiro de Abreu
(Santiago, 12 de setembro de 1948-RS — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996-RS)

Foi um jornalista e escritor brasileiro.
Apontado como um dos expoentes de sua geração, sua obra, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, medo, morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".
Cursou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para escrever para revistas de entretenimento, como Nova, Manchete, Veja e Pop. Em 1968, foi perseguido pelo DOPS, e acabou se refugiando no sítio da escritora Hilda Hilst, em Campinas.
No início dos anos 70, exilou-se por um ano na Europa, passando por países como Inglaterra, Suécia, França, Países Baixos e Espanha.
Em 1983, mudou-se de Porto Alegre para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo.
Voltou à França em 1994 e retornou no mesmo ano, ao descobrir-se portador do vírus HIV.
Faleceu dois anos depois, em Porto Alegre, onde voltara a viver novamente com seus pais e dedicando-se a tarefas como jardinagem.

domingo, 25 de novembro de 2012

Três Gargantas – China

 

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Três Gargantas – China


A maior usina hidrelétrica do mundo

A maior usina hidrelétrica do mundo é a mundialmente famosa Barragem das Três Gargantas, construída no rio Yang-tsé, o maior rio da China.
A construção da Usina das Três Gargantas foi iniciada em 1993. Até fins de 2004, 4 turbinas entraram em funcionamento.
Em 2009, com 26 turbinas instaladas, a capacidade concebida da barragem passou a ser de 18.200 megawatts, ultrapassando a potência de Itaipu.
Diversas empresas brasileiras de consultoria participaram do projeto, tendo em vista a vasta experiência do Brasil com as grandes usinas de Itaipu e Tucuruí, dentre outras. Empresas brasileiras também participaram das obras civis.
Foi aplicado um rígido controle de qualidade, para garantir que a obra não tenha nenhum risco potencial na sua futura operação.
A obra das Três Gargantas tem como funções a prevenção de enchentes, a geração de energia e facilitar o transporte fluvial, por isso ela desempenha um papel importante no desenvolvimento socio-econômico da China.
Alguns dados da usina.
Capacidade = 22 500MW
Altura da barragem = 181m
Extensão da barragem = 2309m (só concreto)
Período de construção = 1994 – 2006
Localização = Ychang, Hubei, China
Turbinas: 32 (6 subterrâneas)
Reservatório:Extensão: 600 km
Quando a água está no máximo de 175 metros acima do nível do mar, a reserva de água da barragem tem 600 quilómetros de comprimento e uma largura média de 1,1 km.
Quando a água está a essa altura, a reserva contém cerca de 39 km3 de água. A área superficial da reserva nesse estado é de 1045 km2.
A construção da Barragem das Três Gargantas implicou o realojamento de 1.300.000 pessoas em três fases (1997, 2003 e 2009).
O custo estimado deste ambicioso projeto é de 22,5 biliões de dólares.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Google acusado de abuso de monopólio

 

Ovens

A Comissão Federal do Comércio nos EUA está a investigar a Google por alegados abusos de monopólio. Os críticos dizem que a Google controla cerca de 70% de todas as pesquisas na internet assim como a publicidade que aparece em simultâneo.

A Comissão Federal de Comércio está também a verificar se o Google está a exercer ainda mais poder sobre o setor móvel através do controle do sistema Android que é usado em cerca de dois terços dos smartphones.

Está também em discussão o facto do Google promover os seus próprios serviços incluindo viagens, restauração e vídeos do YouTube nos seus resultados de pesquisa.

“São práticas para subir os preços e reduzir a concorrência,” disse Ben Hammer, porta-voz do Fairsearch.org.

Outra preocupação para os críticos da empresa é a forma como a empresa limita como os anunciantes podem gerir os anúncios com o Google e os seus concorrentes.

Os problemas da Google não estão limitados a Washington. A empresa também está a enfrentar uma batalha com o governo francês sobre quem deve pagar por conteúdo de notícias.

A empresa californiana ameaçou excluir notícias francesas dos seus resultados de pesquisa se Paris adotar uma lei a obrigar os motores de pesquisa a pagar pelo conteúdo. Essa lei ao exigir o pagamento para a exibição de links para o conteúdo de notícias, ameaçaria a essência do motor de pesquisa da internet.

A Google fez frente ao governo francês e alertou para o redirecionamento que faz por mês de 4 bilhões de visitas para as páginas de internet dos meios de comunicação franceses.

Mas o benefício obtido pelo tráfego direcionado pelo Google é reduzido uma vez que os leitores se recusam a pagar quando têm acesso gratuito às notícias na internet.

Em agosto, o governo alemão aprovou um projeto de lei que força os motores de busca a pagarem comissões para terem acesso às páginas de internet de notícias alemãs.

Texto escrito de acordo com o novo acordo ortográfico.

Relacionados
  1. Google permite agora pesquisar desenhando com os dedos
  2. Google Nexus Tablet – será que vem aí um novo Tablet Android do Google?
  3. Dê as boas-vindas ao ‘Google’ da pornografia
  4. Google disponibilizou uma aplicação para aceder ao e-mail sem Internet
  5. Governo Francês pretende cobrar taxa ao Google por cada artigo lido na Internet

domingo, 21 de outubro de 2012

"Fazer amor é coisa séria demais...

"Fazer amor é coisa séria demais...


Não basta um corpo e outro corpo, misturados num desejo insosso, desses que dão feito fome trivial, nascida da gula descuidada, aplacada sem zelo, sem composturas, sem respeito, atendendo exclusivamente a voracidade do apetite. Fazer amor é percorrer as trilhas da alma, uma alma tateando a outra, desvendando véus, descobrindo profundezas, penetrando nos escondidos, sem pressa, com delicadeza... Porque alma tem tessitura de cristal, deve ser tocada nas levezas, apalpada com amaciamentos... Até que o corpo descubra cada uma de suas funções. Quando a descoberta acontece, é que o ato de amor começa. As mãos deslizam sobre as curvas, como se tocando nuvens, a boca vai acordando e retirando gostos, provando os sabores, bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons, é o côncavo e o convexo em amorosa conjunção. Fazer amor é ressurreição. É nascer de novo: no abraço que aperta sem sufocamentos, no beijo que cala a sede gritante, na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo. Vale chorar, vale gemer, vale gritar... porque aí já se chegou ao paraíso e qualquer som há de sair melódico e afinado, seja grave, agudo, pianinho... Há de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro. Corpos se ajustaram, almas se matizaram... Fez-se o êxtase! É o instante do amor, da paz... É a escritura da serenidade, sabedoria! E os amantes em assunção, pisam eternidades."

Texto atribuído a um Frei do Colégio Santo Agostinho*


*Arte de Nerdrum Odd* - pintor norueguês...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

POESIA - Rui Knopfli


Roman Garassuta

IDEIA DO POEMA

Fluyída, indecisa, volátil,

inconcreta, a ideia não

se submete facilmente

ao cerco insidioso

da palavra.

Elusiva

e ambígua a cada

instância se lhe furta,

presa de um discreto pudor.

A palavra é, porém,

audaciosa, pertinaz, envolvente.

Persegue-a e espreita-a,

faz-lhe longas esperas

e sai-lhe ao caminho

a horas inesperadas, em lugares

incertos.

Cativa-a

e perturba-a lentamente,

subverte-lhe a vontade,

exalta-lhe os sentidos

e, amorosamente,

nela penetra, desfigurando-a.

Da ideia já nada,

ou quase, sobra.

Senão o poema.


Rui Knopfli

domingo, 14 de outubro de 2012

Uma conversa amiga

— Uma conversa amiga;
— Ouvir boa música, sentado no chão, com a cabeça na suave dobra do sofá (Blues, Rock and Roll, Jazz, Clássica, Mpb, tanto faz), saboreando um bom queijo (pelo simples prazer de degustar),
---acompanhado de um bom vinho tinto (pelo prazeiroso mas efémero deleite de cheirá-lo e senti-lo, revolvendo-me gostosamente as entranhas).
— Ir ao teatro;
— Estremecer comovido, numa sala de cinema, tanto com o dolbysurround de uma superprodução de Hollywood, quanto comprometer-me com a explosiva loucura do doce retrato de recentes e difíceis ---tempos de guerra na Bósnia, visto pela objectiva de um talentoso Emir Kusturica.
— Escrever, como exigente princípio do salutar exercício que sempre nos fez maiores;
— Passear à beira-mar;
— Entrar pelo mar adentro, à tardinha, num veleiro de sete metros, num desses muitos dias de bonança e ver o sol mergulhar em direcção às cálidas águas do hemisfério sul.
— Ouvir histórias (do faz-de-conta, ou nem tanto);
— Contar histórias (do faz-de-conta mesmo);
— Viajar por esse mundo abaixo à procura do não-sei-onde (Costumo dizer que, se no aeroporto, à chegada, alguém me convidar a dar meia volta para partir novamente, fá-lo-ei com o mais indiscritível e infantil dos regozijos);
—De envolver-me apaixonadamente no enredo de um bom livro,   para aprender com quem sempre soube mais do que eu e para me esquecer das voltas em que a vida teima em enredar-nos;
— Fazer amor com a raiva intempestiva que as nossas vontades pedirem ou com a doce volúpia que um suave entardecer aconselha;
— De tudo o resto que me dá prazer, por saber que mais prazer dá a quem ternamente me enlaça.
Detesto:
— Palmadinhas nas costas;
— Comida com muito sal.
Só acredito:
— Em mim, porque me sinto;
— Na amizade de quem sei que é sincero;
— No amor de quem nunca soube que era louco.

sábado, 13 de outubro de 2012

Vera Queiroz

Decidi pintar um poema pra ti,
já que as palavras fogem,
vou caçá-las com um pincel e
prendê-las numa tela.
Há de ficar bonito,
vou usar as cores dos teus olhos,

e a moldura será o teu sorriso.
Vera Queiroz
Dedico te a ti Jorge Pereira

Foto: Decidi pintar um poema pra ti,
já que as palavras fogem,
vou caçá-las com um pincel e 
prendê-las numa tela.
Há de ficar bonito,
vou usar as cores dos teus olhos,
e a moldura será o teu sorriso.

Vera Queiroz

Dedico te a ti Jorge Pereira

Dave Matthews Band

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Jeff Beck Tal Wilkenfeld Bass Solo Blue Wind

This Photografh is my Proof

"A "Liberdade do outro estende a minha ao infinito."

"A

"Liberdade do outro estende a minha ao infinito."

"Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (...) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna desse nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (...)"

Михаил Александрович Бакунин;

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin.

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Ich bin ein Mensch, der alle Ethnien, Religionen, sexuellen Vorlieben, Kulturen und Völkern respektiert

Nicht unterscheiden, Farben, lieben Sie den Regenbogen.

Sie wissen nicht, was ein Mann oder eine Frau, oder was das schwache Geschlecht... Ich kenne nur den Menschen.

Ich habe noch nie gesehen, weiß, schwarz, gelb oder rot ... Ich sehe andere Kulturen und andere Völker.

Nicht in Heterosexualität, Bisexualität und Homosexualität glauben ... Ich glaube, nurin der Sexualität.

Ich bin kein Buddhist, noch christlich, noch haben Allah im Herzen ... Aber ich habe Vertrauen!

Tragédia e maravilha no Paquistão

Por vezes é bom regressar ao passado para recordar/ conhecer algo extraordinário, algo que nos marcou ou que nos escapou. Há uma dimensão não imediata em todas as coisas, e é possível encontrá-la até nos maiores desastres naturais, como é o caso. O britânico Russel Watkins relata e ilustra a tragédia e a maravilha encerradas pelas cheias de 2010 no Paquistão.

2010, aranhas, catastrofe, cheias, ecossistema, monção, paquistao, russel, watkins
© UK Department for International Development/Russell Watkins.

Da mesma forma que não só os desastres que afectam os grandes devem ser tomados como relevantes, não só os milagres humanos (religiões desde já à parte!) são dignos de nota, muito pelo contrário. A dualidade natural não é novidade. Beleza e destruição convivem verdadeiramente em porções iguais, pelo que nada há de mais subjectivo que a sua percepção. Para muitos, o que se segue passou ao lado; para outros, é assunto tão pesado que não permite ver mais. Para tantos outros, tudo isto fará sentido.

2010 revelou-se um ano negro na história do Paquistão. A inundação provocada pela maior monção desde 1994, e a segunda maior nos 50 anos que a precederam, fez submergir uma área de quase 800 mil quilómetros quadrados, cerca de um quinto da área total do país. Segundo o governo paquistanês, 20 milhões de pessoas - um décimo da população - distribuídas pela bacia do rio Indo, pelas províncias de Khyber Pakhtunkhwa, Sind, Punjab e Baluchistão, foram directamente afectadas.

2010, aranhas, catastrofe, cheias, ecossistema, monção, paquistao, russel, watkins
© UK Department for International Development/Russell Watkins.

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© UK Department for International Development/Russell Watkins.

Com as cheias, que reclamaram quase duas mil vidas, veio a destruição das infraestruturas, das colheitas, e também doenças como a cólera ou a malária, resultado das más condições sanitárias e da falta de água potável. Muitos viriam ainda a perecer, indirectamente, naquele que foi considerado um dos maiores desastres naturais do século XXI, quer pelo seu alcance geográfico - do Planalto Tibetano ao Mar Arábico - quer pela percentagem de população afectada ou pelo impacto económico causado. Combinando o tsunami do Oceano Índico em 2004, o sismo de 2005 que também assolou o Paquistão e o sismo de 2010 no Haiti, não foram atingidas tantas pessoas ou uma área maior, ainda que muitos mais tenham morrido.

2010, aranhas, catastrofe, cheias, ecossistema, monção, paquistao, russel, watkins
© UK Department for International Development/Russell Watkins.

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© UK Department for International Development/Russell Watkins.

A ajuda internacional foi prestada a uma escala correspondente à da calamidade; no entanto, o sofrimento das populações de algumas regiões continua até hoje, e a já grande divisão entre classes aumentou muito.

O tema integrou os jornais de todo o mundo, é certo, mas esta informação não causou o impacto de eventos como o 11 de Setembro, e talvez por isso não se imprimiu na memória dos espectadores. A selecção da informação é isso mesmo: uma selecção, tão subjectiva, humana e possível como a escolha das imagens que ilustram estas palavras, imagens estas que pela sua singularidade isolaram do caos da destruição a beleza digna de registo mental, pois a destruição, essa, é banal.

2010, aranhas, catastrofe, cheias, ecossistema, monção, paquistao, russel, watkins
© UK Department for International Development/Russell Watkins.

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© UK Department for International Development/Russell Watkins.

Muitos meses passados sobre a cheia inicial de Julho de 2010, e já no período de calmaria depois da tempestade no qual tudo parece parar, reunindo forças para começar a recompor-se, o fotógrafo Russel Watkins, ao serviço do Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional, encontrou na ainda bastante alagada província de Sind algo surpreendente, um modelo de esperança, à escala. Num fenómeno sem precedentes para os próprios habitantes locais, lentamente regressando ao pouco que a água deixou, surgiu no seio da destruição, em cada árvore, um microescossistema.

Para fugir à rápida subida das águas, que nalgumas zonas ultrapassou os seis metros, milhões de aranhas encontraram nas poucas árvores disponíveis o único porto seguro. A sobrepopulação fez com que, em pouco tempo, estas se assemelhassem a grandes casulos de seda, destacando-se no horizonte da agora inóspita região agrícola. Muito mais do que um quadro de rara beleza, uma estranha beleza nascida do alto contraste com o cenário circundante, as fotografias de Watkins revelam a força com que aqueles pequenos animais se agarraram à vida, e às árvores, ao mesmo tempo que escondem uma ajuda não premeditada às populações da província do sul.

2010, aranhas, catastrofe, cheias, ecossistema, monção, paquistao, russel, watkins
© UK Department for International Development/Russell Watkins.

2010, aranhas, catastrofe, cheias, ecossistema, monção, paquistao, russel, watkins
© UK Department for International Development/Russell Watkins.

A massiva quantidade de água estagnada, que tanto tempo levou a recuar, tornou-se um paraíso para uma outra espécie animal, o mosquito, criando as condições ideais à reprodução deste portador do parasita da malária. Os mosquitos rapidamente se tornaram um dos maiores problemas nas áreas afectadas pelas cheias mas, na província de Sind, as árvores cobertas de teias de aranhas predadoras desempenharam um papel inesperado e fundamental, reduzindo exponencialmente o número de mosquitos e tornando, consequentemente, pontuais os casos de malária.

A beleza destas imagens fê-las correr o mundo numa altura em que da tragédia que silenciosamente contam nem um eco, talvez, se encontrava. No cenário da destruição experienciada pelo Paquistão, um pequeno milagre destacou-se, relembrando a capacidade de adaptação e de regeneração da natureza, sem par, nem entre a raça humana. Mas Russel Watkins frisa que ainda que a natureza tenha inadvertidamente favorecido o Homem, uma outra realidade se lhe seguiria: muitas das já poucas árvores morreriam cobertas de teias, perdendo as populações o abrigo natural das altíssimas temperaturas de Verão... Sempre a dimensão mutável, circular e dual do Universo.

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© UK Department for International Development/Russell Watkins.

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© UK Department for International Development/Russell Watkins.